30/06/2017

Ganhar nunca foi tão importante, Galo!

Alisson Millo*

Pela quinta vez nesta temporada, é semana de clássico. Do lado do Galo, a pressão é grande pelo momento de instabilidade do time e por jogar na Arena Independência com maioria nas arquibancadas. Apesar da vitória no último domingo, diante da Chapecoense, a equipe ainda se encontra na parte de baixo da tabela do Campeonato Brasileiro e atrás do rival. No entanto, nem só de más notícias vive o Atlético.


Com a volta de Gabriel, fazendo dupla com Léo Silva depois de muito tempo, a esperança é de que o tão criticado setor defensivo passe segurança aos companheiros e à torcida. No meio-campo, a novidade pode ser Adilson. Volante de destruição, o camisa 21 foi o ponto de equilíbrio de Roger Machado na decisão do estadual e nas primeiras rodadas do Brasileirão. Com a suspensão de Rafael Carioca, para alegria de uns e tristeza de outros, a vaga no setor está em aberto. Outra opção é Roger Bernardo.

Atlético em vantagem na Copa do Brasil
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Este, por sua vez, parece ter agradado. Recém-chegado do Ingolstadt, da Alemanha, o volante, de 31 anos, foi uma das vozes da experiência no jogo contra a Chapecoense e peça importante para segurar a pressão imposta pelos catarinenses. Três pontos muito importantes conquistados por uma equipe quase toda de jogadores da base e que jogou com muita raça, tudo o que o grupo principal não vinha mostrando nas partidas.

Quando tá valendo, tá valendo

No clássico, entretanto, não há desculpas. Depois da folga no fim de semana, os titulares têm que embalar com o jogo da Copa do Brasil, assimilando o clima de decisão e partindo para cima do rival. Passou da hora de o Atlético voltar a impor medo nos adversários quando joga em casa e nada melhor do que dois bons resultados em sequência para fazer isso.

Valdívia e Marlone: heróis em Chapecó
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

O jargão diz que clássico é um campeonato à parte, então chegou o momento de encarnar o "quando tá valendo, tá valendo" mais uma vez. Não podemos perder esse jogo de jeito nenhum. São três pontos, a recuperação, um pouco mais de tranquilidade, o embalo e uma freada no rival, tudo em jogo em uma partida só. Ganhar nunca foi tão importante assim.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!

29/06/2017

No Brasil, Nilmar é oferecido ao Cruzeiro

Vinícius Dias

De férias no Brasil e com contrato perto do fim com o Al-Nasr, dos Emirados Árabes, o atacante Nilmar foi oferecido ao Cruzeiro na última semana. A princípio, no entanto, o clube não abriu negociações com o staff do jogador, de 32 anos. Conforme apurou o Blog Toque Di Letra, nos bastidores, a cúpula celeste tem sinalizado que, após as contratações de Rafael Marques, ex-Palmeiras, e Sassá, ex-Botafogo, a busca por novas peças para o ataque não está entre as prioridades no mercado.

Nilmar defendeu o colorado até 2015
(Créditos: Alexandre Lops/Internacional)

Nilmar chegou ao Al-Nasr em agosto de 2015. Na primeira temporada, foi o artilheiro da equipe, com 18 gols em 39 jogos. Apesar disso, na segunda, acabou preterido. Em maio último, com o atacante prestes a completar um ano sem disputar uma partida oficial, seu representante já havia revelado a intenção de procurar o Cruzeiro. "Por consideração, por tudo o que eles apresentaram de vontade de ter o jogador (em 2016) e pela grandeza do clube e sua torcida fanática", disse Ismael Calegário.

Diretoria evita comentários

Consultado à época, o vice-presidente de futebol Bruno Vicintin confirmou a tentativa feita na temporada passada, mas evitou comentários sobre a situação atual de Nilmar. "Agora, neste ano, a gente não comenta. Nessa época, há muita especulação. Se tiver algo concreto, a gente conversa", ponderou. Com Vicintin em viagem por motivos familiares, a reportagem tentou contato com Klauss Câmara nessa quarta-feira, mas o diretor de futebol celeste não atendeu às ligações.

28/06/2017


Rival do Atlético na Copa do Brasil pela 4ª vez em 11 anos, equipe
carioca deixou a lanterna do Brasileirão rumo à Copa Libertadores

Especial para o Toque Di Letra
Lucas Borges

Pela sexta vez desde 2007, Atlético e Botafogo se encontram em um confronto de mata-mata - esse será o quarto pela Copa do Brasil. Pedra no sapato atleticano, o Botafogo vem se destacando pela luta e consciência tática e se tornando um adversário indigesto. A vaga nas semifinais da Copa do Brasil começará ser decidida nesta quinta-feira, no Horto, com o Galo contando com a força da sua torcida em seu caldeirão para buscar a inédita classificação diante do rival carioca no torneio.


A trajetória do dedicado Botafogo de Jair Ventura teve início há cerca de um ano, quando Ricardo Gomes aceitou a proposta do São Paulo e deixou a torcida alvinegra aflita na zona de rebaixamento. Os prognósticos eram os piores possíveis e o fantasma do rebaixamento rondava General Severiano novamente. Mas, com uma batalha a cada dia, o treinador, filho do craque Jairzinho, demonstrou que união e trabalho forte poderiam levar o Botafogo para caminhos vitoriosos.

Jair Ventura: trabalho digno de aplauso
(Créditos: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

A arrancada da lanterna para a quinta colocação do Campeonato Brasileiro em 2016 levou o clube carioca à Libertadores e recuperou a autoestima de cada botafoguense que sonhava em viver tempos melhores. Diante desse cenário, destrinchamos os segredos da equipe que, mesmo com baixo orçamento e um elenco enxuto, vem chamando a atenção.

'Time de operários' em campo

Assim Jair define o time do Botafogo nesta temporada. O treinador é o principal destaque desse conjunto e ponto-chave do confronto de quinta-feira. Com dez anos de Botafogo, o treinador estudou e aprendeu com os diversos técnicos e atletas que passaram pelo clube. Foram as mais variadas técnicas, táticas e visões de jogo para se capacitar ao cargo de treinador do Botafogo. Os ensinamentos vão desde o futebol vistoso de Cuca até o futebol compacto e defensivo de Joel Santana.

Poucos recursos, muito futebol

Performance e resultados surpreendentes: esse é o Botafogo. O alvinegro carioca é uma equipe que gosta de jogar sem a bola e tem como pilares a consistência defensiva e o padrão de jogo, independentemente das peças utilizadas. Outro fator a se destacar é fazer muito com pouco: com folha salarial aquém dos rivais, mas disputando de igual para igual com elencos estrelados. Some-se a isso o fantasma das contusões, que ronda o estádio Nilton Santos e mostra capacidade de superação fora do normal.

Em alta sem Camilo e Montillo

No início da temporada, muito se falava que uma possível dupla entre Camilo e Montillo poderia ser um dos pontos fortes do Botafogo. Mas o que vemos é uma situação completamente contrária. Jair Ventura encontrou sua melhor formação no ano sem as suas duas principais peças do meio-campo.

Torcida tem motivos para comemorar
(Créditos: Satiro Sodré/SSPress/Botafogo)

Com a irregularidade de Camilo e as contusões em sequência do argentino Montillo, o treinador alvinegro achou em uma linha de quatro formada apenas por volantes seu ponto forte no meio-campo. Rodrigo Lindoso, Matheus Fernandes, Bruno Silva e João Paulo compõem uma linha que trabalha em bloco tanto na marcação quanto nas saídas ao ataque.

Roger e Giulia: abraço no Nilton Santos
(Créditos: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Os grandes nomes da equipe atualmente são Bruno Silva e Roger. Com quatro gols e duas assistências no Campeonato Brasileiro, o volante tem feito bem mais do que contribuir defensivamente: é peça essencial nas saídas pelo lado direito, se transformando em elemento surpresa. O atacante, além de pai da garota Giulia, cuja história emocionou o Brasil nos últimos dias, é o artilheiro alvinegro nesta temporada, com dez gols.

Vale ficar atento a essa equipe que vem fazendo um grande ano e, não à toa, está na disputa de três grandes competições - Libertadores, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. O Botafogo já superou todas as expectativas e mostra que um elenco enxuto e unido pode fazer a diferença.

27/06/2017

CBF fará novo teste com árbitro de vídeo

Da Redação

A CBF voltará a utilizar o árbitro de vídeo, nesta quarta-feira, na decisão do Campeonato Pernambucano entre Salgueiro e Sport, em Salgueiro. A iniciativa conta com o apoio institucional da Federação Pernambucana de Futebol (FPF). Curiosamente, a estreia da tecnologia no futebol brasileiro ocorreu no dia 07 de maio, no jogo de ida, que terminou empatado em 1 a 1.

Estreia do árbitro de vídeo, em maio
(Créditos: Fernando Torres/CBF/Divulgação)

Naquela tarde, o recurso foi decisivo para que o árbitro principal confirmasse a marcação de um pênalti a favor do Salgueiro na Ilha do Retiro. O projeto brasileiro prevê que as informações sejam passadas pelo árbitro de vídeo (AV) em quatro situações: gol/não foi gol, pênalti/não foi pênalti, cartão vermelho direto indevido e identificação errada do jogador punido.

Equipe do árbitro de vídeo

Wilton Pereira Sampaio (Fifa/GO) apitará a partida. Péricles Bassols (CBF/PE) será o árbitro de vídeo. Autor do projeto, Manoel Serapião Filho atuará como supervisor, tendo Alício Pena Júnior como assistente. Também estarão no estádio o coordenador do AV no Brasil e chefe da comissão de arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, e o presidente da FPF, Evandro Carvalho.

26/06/2017


Centenas de jovens talentos participarão neste fim de semana da
1ª etapa de avaliações; planos incluem moderno CT em Manhuaçu

Vinícius Dias

Nos dias 1º e 2 de julho, centenas de atletas nascidos entre 1999 e 2004 estarão em Manhuaçu, na Zona da Mata mineira, para a primeira etapa de avaliações do Boston City FC Brasil. Por trás do projeto que impulsiona os sonhos de talentos de várias regiões está Palhinha, ídolo de clubes como Cruzeiro e São Paulo. Nos Estados Unidos, o ex-meio-campista da seleção brasileira é treinador e sócio do Boston City FC, que disputa a National Premier Soccer League - quarto escalão do futebol local.


"Aqui, tudo é muito diferente. Quando o Renato (Valentim, CEO do clube) me chamou para uma reunião e queria falar de futebol, pensei que fosse para fazermos uma escolinha. Ele veio logo falando de fazermos um time profissional, queria que eu entrasse como sócio dele e fosse o treinador para chamar a atenção e procurar passar aos jogadores um pouco da minha experiência. Gostei da ideia. Atualmente, sou presidente, treinador, fundador e sócio dele", relembra ao Blog Toque Di Letra.

Palhinha: meia de sucesso na Raposa
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Arquivo)

Depois de passagens por equipes do interior de São Paulo e Minas Gerais, Palhinha estreou à frente do Boston City FC no último ano. O bom início, levando o time aos playoffs com a segunda melhor campanha da Conferência do Nordeste Atlântico, é motivo de comemoração. "Para jogar em qualquer liga aqui, você precisa comprar a franquia. Para disputar a MLS (primeiro escalão), precisa pagar US$ 100 milhões e, hoje, isso é sem chance. Para começarmos, a NPSL tem sido ótima", comenta.

Planos do Boston City FC Brasil

Os trabalhos no Brasil terão início neste fim de semana, com a seletiva no estádio municipal de Manhuaçu. Os aprovados na primeira etapa retornarão em setembro para mais uma semana de avaliações. "Aí, sim, os selecionados ficarão no Boston City FC Brasil", detalha Palhinha, cuja comissão técnica nacional conta com nomes como Paulão, ex-zagueiro e auxiliar técnico do Cruzeiro, e Ademir Carvalho, ex-zagueiro do América. "Não vamos apenas fazer futebol. Vamos formar atletas e homens", emenda.

Projeto de CT do Boston City em Manhuaçu
(Créditos: Boston City FC Brasil/Facebook/Divulgação)

Com metas em longo prazo, o clube planeja formar elencos das categorias sub-11 a sub-20 até o próximo ano e disputar o Mineiro da Segunda Divisão - equivalente à terceira - em 2019 com atletas sub-20. "O foco nesses dois anos será estruturar a base para, depois, ter o profissional". A princípio, os treinos acontecerão no antigo CT do Ipiranga Futebol Clube, que passará por reformas. A expectativa é de que em 2018 seja iniciada a construção de um novo CT, com quatro campos, em Manhuaçu.

25/06/2017

Masci abre diálogo com Sérgio Rodrigues

Vinícius Dias

Pré-candidato à presidência do Cruzeiro, César Masci tem dialogado com o cabeça da chapa Tríplice Coroa, Sérgio Rodrigues, sobre a possibilidade de composição visando às eleições deste ano. As conversas entre o ex-superintendente de futebol e o ítalo-brasileiro, que comandou o clube entre 1991 e 1994, foram iniciadas na última sexta-feira, em encontro promovido por um conselheiro nato da Raposa.

Sérgio, Masci e Alvimar neste domingo
(Créditos: Sérgio Rodrigues/Twitter/Reprodução)

Na manhã deste domingo, Masci voltou a estar ao lado de nomes como Sérgio Rodrigues e Alvimar Perrella, presidente do clube de 2003 a 2008 e um dos principais articuladores da chapa Tríplice Coroa, na sede campestre. "Nós estamos conversando. Pode ser que, lá na frente, a gente faça um acordo", pontuou ao Blog Toque Di Letra. "Um projeto único, atendendo também aos italianos", detalhou a expectativa.

Representante da ala italiana

Em janeiro, o ítalo-braslieiro revelou à reportagem a intenção de participar do pleito. A candidatura, mantida até o momento, é trabalhada em um contexto de insatisfação de representantes da bancada italiana do Conselho com o que tratam como "enfraquecimento dos laços" por parte da atual gestão. Nos bastidores, no entanto, Masci tem afirmado que não se vê como opositor do presidente Gilvan de Pinho Tavares.

24/06/2017


Dos 29 nomes do elenco, 27 têm vínculo com o clube alvinegro por
pelo menos mais um ano; herói, Cleiton está confirmado até 2019

Vinícius Dias

Classificada pelo presidente Daniel Nepomuceno como "maior título da história da base", a conquista da Copa do Brasil sub-20, na última semana, veio acompanhada de outra boa notícia para os torcedores do Atlético: 27 dos 29 campeões têm contrato com o clube alvinegro por, no mínimo, mais um ano. O volante Pablo e o atacante Pedro Artur, cujos vínculos se encerram no fim desta temporada, são as exceções entre os atletas que foram relacionados para pelo menos uma partida.


O Blog Toque Di Letra, em parceria com o portal Rede do Futebol, fez um levantamento da situação contratual dos comandados de Ricardo Resende. Três estão emprestados ao Atlético: o lateral-direito Wenderson e o atacante Pedro Artur, que pertencem ao ABC/RN, e o zagueiro Ruan, do Flamengo/SP. Dos 11 titulares na decisão, cinco foram convocados por Roger Machado para o duelo contra a Chapecoense, neste domingo, pelo Brasileirão: todos têm vínculo pelo menos até dezembro de 2018.

Sub-20 comemora título da Copa do Brasil
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

O troféu erguido no estádio Luso-Brasileiro, no Rio de Janeiro, reafirmou o bom momento do sub-20 atleticano. Antes de o time principal se sagrar campeão da Copa do Brasil, uma equipe alternativa da categoria já havia conquistado o tetracampeonato do Torneio de Terborg, na Holanda, e sido vice do Torneio de Ennepetal, na Alemanha. Nas competições internacionais, o Galinho foi comandado por Sérgio Antônio.

Goleiros:
Cleiton - dezembro de 2019
Fernando - janeiro de 2019
Alexsander - março de 2019

Laterais-direitos:
Emanuel - fevereiro de 2019
Welinton - agosto de 2018
Wenderson* - julho de 2018

Zagueiros:
Gleison Bremer - março de 2019
Nathan - dezembro de 2018
Jordan - junho de 2018
Ruan* - julho de 2018
João Vitor - dezembro de 2018

Laterais-esquerdos:
César - dezembro de 2018
Carlos Gabriel - março de 2019

Volantes:
Cícero - dezembro de 2018
Renan Gomes - março de 2021
Anderson Sousa - abril de 2019
Pedro Santos - dezembro de 2018
Pablo - dezembro de 2017

Meias:
Marquinhos - junho de 2020
Daniel - novembro de 2020
Marco Túlio - dezembro de 2020
Vinícius - março de 2021
Lucas Pires - julho de 2019
Igor - outubro de 2020
Pedro Henrique - setembro de 2018

Atacantes:
Flávio - dezembro de 2018
Lucas de Oliveira - outubro de 2018
Anderson Costa - dezembro de 2018
Pedro Artur* - dezembro de 2017

*Atletas emprestados ao Atlético

23/06/2017

Cruzeiro, um time sem a fome de Raposa

Vinícius Dias

Aos 8' da etapa final, Élber recebeu de Rafael Marques, avançou pela direita e arriscou, obrigando Aranha a fazer boa defesa. Depois de 53 minutos de jogo, já em desvantagem no placar, o Cruzeiro acertava sua primeira finalização diante da Ponte Preta. Pênalti polêmico - a meu ver, mal marcado - à parte, um resumo da apresentação deprimente em Campinas. Três dias após a melhor partida da temporada brasileira. Distante no tempo, mas perto no futebol de noites como as que determinaram a eliminação na primeira fase da Copa Sul-Americana.

É possível relativizar argumentando que a Raposa escalou vários reservas nessa quinta-feira, fez um bom segundo tempo na derrota para o líder Corinthians e foi protagonista de confronto empolgante contra o Grêmio, no Mineirão. Mas a tabela mostra um time com um ponto em nove no período, que tem dificuldades para sair vencedor mesmo quando joga bem e normalmente perde quando joga mal. Some-se a isso um dos quatro piores ataques do Campeonato Brasileiro, com oito gols marcados, passando em branco em quatro das nove primeiras rodadas.

Ataque passou em branco pela quarta vez
(Créditos: Marcello Zambrana/Light Press/Cruzeiro)

Com Mano Menezes prestes a completar um ano de trabalho - tempo que na era Gilvan só o bicampeão brasileiro Marcelo Oliveira teve -, ainda não há um conjunto que funcione. Por opção, como nessa quinta-feira, ou necessidade, oito escalações diferentes em nove rodadas, pouco resultado e apenas lampejos de desempenho. O Cruzeiro teve seus melhores momentos neste mês justamente depois de sair em desvantagem: tem peças e qualidade para tomar a iniciativa, mas faltam organização e, principalmente, fazer isso por vontade própria durante as partidas.

A equipe já mostrou que pode ser, mas em junho ainda não é.
Muito porque, com Mano, está longe de ter a fome de Raposa.

22/06/2017


Equipe alvinegra perdeu, no máximo, 16 pontos por edição na era
Horto; neste ano, com Roger, somou apenas cinco dos 15 possíveis

Vinícius Dias

Ponte forte do Atlético no Campeonato Brasileiro de 2012, quando terminou na segunda colocação, o rendimento dentro de casa está aquém do esperado nesta edição. O empate por 2 a 2 contra o Sport, nessa quarta-feira, na Arena Independência, manteve o time alvinegro entre os quatro piores mandantes, com apenas cinco pontos somados em 15 disputados: 33,3%. No quesito aproveitamento, os comandados de Roger Machado superam apenas o Vitória, que conquistou 26,7% dos pontos em Salvador.


Os números em Belo Horizonte têm incomodado o treinador. "A expectativa para os jogos dentro de casa tem que ser alta. A normalidade é que o mandante vença pelo menos 60% dos jogos. Associada à expectativa criada em torno dos jogadores contratados, isso aumenta. Não dá para fugir da responsabilidade e atribuir nosso insucesso a outras coisas", ponderou após a partida diante do rubro-negro pernambucano. Na classificação geral, o Atlético aparece em 16º lugar, com nove pontos.

Atlético tropeçou nessa quarta-feira
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Desde 2012, quando voltou a mandar seus jogos em Belo Horizonte, o Atlético perdeu, no máximo, 16 pontos como mandante por edição. Em 2014 e 2015, o time alvinegro fez suas piores campanhas em casa: 71,9% de aproveitamento. Os melhores números foram registrados justamente na primeira temporada da era Horto: 14 vitórias e cinco empates, com 82,5% sob o comando de Cuca. Neste Campeonato Brasileiro, disputadas cinco partidas, a equipe já desperdiçou dez pontos.

Campanhas no Brasileirão - era Horto:

2012 - 14 vitórias e cinco empates - 82,5% em casa
2013 - 13 vitórias, cinco empates e uma derrota - 77,2% em casa
2014 - 12 vitórias, cinco empates e duas derrotas - 71,9% em casa
2015 - 13 vitórias, dois empates e quatro derrotas - 71,9% em casa
2016 - 13 vitórias, três empates e três derrotas - 73,7% em casa
2017 - uma vitória, dois empates e duas derrotas - 33,3% em casa

21/06/2017

Ação do Cruzeiro é premiada em Cannes

Vinícius Dias*

A ação realizada pelo Cruzeiro no Dia Internacional da Mulher, em parceria com a ONG AzMina e com apoio da Umbro e da Agência New360, segue repercutindo mundo afora. A campanha #VamosMudarOsNúmeros, que já havia concorrido ao Leão de Ouro na categoria Promo, foi premiada nesta quarta-feira com o Leão de Bronze na categoria Media do Cannes Lions 2017 - Festival Internacional de Criatividade, na França.

Camisas deram destaque a estatísticas
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Divulgação)

Na noite de 08 de março, a Raposa propôs uma reflexão sobre as desigualdades de gênero e a violência contra a mulher no Brasil. Os jogadores da equipe comandada por Mano Menezes entraram em campo para o confronto contra o Murici, válido pela terceira fase da Copa do Brasil, em Alagoas, estampando nas camisas estatísticas referentes às dificuldades enfrentadas pelo público feminino no dia a dia.

Campanha em confronto contra o Murici
(Créditos: Thiago Parmalat/Light Press/Cruzeiro)

A 11 de Alisson, por exemplo, destacou que uma mulher é estuprada no país a cada 11 minutos. A 27 do zagueiro Manoel, autor do primeiro gol, trouxe mensagem sobre a continuidade de 27% das vítimas com seus agressores. A 9 de Ramón Ábila, que deu números finais à partida, ressaltou que apenas nove em cada 100 deputados são do sexo feminino.

*Atualizada às 17h10


Aos 87 anos, relação com a equipe alviverde mantém força mesmo
diante de batalha contra doença que provoca a perda de memória

Vinícius Dias

"Sou América, América, América", assegura Olívio de Oliveira, mais conhecido como Nêgo. Em meio à batalha contra o mal de Alzheimer, doença degenerativa que provoca atrofia do cérebro e perda de memória, o belorizontino, de 87 anos, tem dado mostras de que a paixão pelo clube alviverde está intacta. A relação é tema de vídeo produzido pelo casal Ana Luiza Saraiva e Jotapê Saraiva, neto do torcedor do Coelho.



"Toda vez que venho visitá-lo, ele não se lembra de praticamente nada. Pergunto meu nome, meu pai pergunta, todos perguntam e, muitas vezes, ele esquece. Na verdade, do meu nome ele praticamente não se lembra mais. Só que o time dele, ele costuma não esquecer de jeito nenhum", destaca Jotapê, graduado em Publicidade e Propaganda e criador do Brand Bola, projeto sobre marketing no futebol.

Laços entre torcedor e futebol

As recordações vão além do nome do clube. Morador do bairro Santa Inês, na região Leste da capital mineira, Olívio menciona em outros trechos do vídeo a mascote alviverde e o extinto estádio Otacílio Negrão de Lima, onde o América mandou seus jogos por mais de quatro décadas. "Isso mostra a importância dos clubes de futebol na vida, na história das pessoas", acrescenta o neto, especialista em marketing.

20/06/2017

Vencer, vencer: esse é o nosso ideal

Alisson Millo*

Finalmente fora do Z4, com uma grande vitória diante do São Paulo - a primeira fora de casa - e o retorno de jogadores importantes, como Cazares e Luan. Esse é o saldo do fim de semana do Atlético, positivo como há muito tempo não se via. Mais na raça do que na técnica, em alguns momentos relembrando o bom espírito galo doido, os três pontos tiraram o time da incômoda posição no Campeonato Brasileiro e deram um alívio para o treinador, que parecia estar com a continuidade ameaçada.


Após duas derrotas, uma delas em casa, com um a mais, vencer era o respiro necessário. Se não fosse bonito, e de fato não foi, que fosse eficaz. Rafael Moura pouco tocou na bola, mas marcou na chance que teve. Alex Silva superou a desconfiança e ainda deu carrinho, desarmando Pratto e evitando o que seria o gol da virada tricolor. Ao substituir Carioca, que de novo ficou devendo, Ralph foi o cão de guarda que faltava desde a lesão de Adilson. Rodrigão jogou poucos minutos, mas afastou o perigo em bolas levantadas na área. Yago vem se firmando. Se não for na técnica dos medalhões, tem que ser na raça de quem tem o DNA do Atlético.

Atlético somou três pontos no Morumbi
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

De certa forma, essa sempre foi a tônica do Galo. Com o coração na ponta da chuteira se fez nossa história centenária e, em um momento de dificuldade como o que o time se encontra, a volta às origens era o que faltava. Verbo usado no presente porque ainda falta muito para o Atlético chegar a uma posição de brigar por qualquer coisa significativa - e nenhum torcedor vai aceitar menos do que muita entrega e uma boa colocação no final do Brasileirão. A porta do Z4 não é mais uma realidade aceitável e os jogadores precisam entender isso. O Atlético nunca foi o time da soberba e do salto alto que alguns jogadores têm mostrado.

De Libertadores a Copa do Brasil

Um comportamento desse pode custar muito caro, por exemplo, na Libertadores. No sorteio das oitavas de final, caímos contra o Jorge Willstermann, da Bolívia. Em tese, adversário fácil, de pouca tradição. Mas, se o time entrar com o pensamento de que ganhará a qualquer hora, vai sofrer como vem sofrendo. Que os dois gols que levou do fraco Sport Boys, na Arena Independência, tenham servido de lição. O jargão é antigo, mas nunca foi tão preciso: não existe mais bobo no futebol. O sonho de mais um título continental pode se tornar realidade. Temos qualidade e elenco para isso, falta entrega dentro de campo.

Galo bateu o Paraná na Copa do Brasil
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Tudo o que foi falado sobre a Libertadores vale em dobro para a Copa do Brasil. Se o time reverteu a derrota diante do Paraná e conseguiu a classificação, ter sofrido contra um adversário de Série B, com investimento muito menor, é motivo para acender a luz amarela no Atlético. Por pouco o 'ganhar a hora em que quiser' não custou ao Galo um de seus principais objetivos na temporada. Pela frente agora o Botafogo, que, por mais que não viva sua melhor fase, tem bons jogadores e pode complicar para o lado de qualquer time que se achar superior ao que realmente é.

Título e exemplo vindos da base

Um exemplo de trabalho bem feito, com a cara do Galo, está bem perto. O time sub-20 acabou de ser campeão da Copa do Brasil da categoria, superando Vasco e Flamengo na semifinal e na final, respectivamente. Principalmente no jogo contra o cruzmaltino, em São Januário, quando o Galinho buscou a virada fazendo dois gols nos acréscimos. Contra o rubro-negro, dois empates e título nos pênaltis, brilhando a estrela de Cleiton, que defendeu três - qualquer semelhança com Victor é mera coincidência. Com um elenco reduzido, os garotos devem ser utilizados no time principal e, no mínimo, já provaram que têm sangue nos olhos.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!

19/06/2017


Gestão é o mote do discurso do advogado, que cita Flamengo como
exemplo e garante: 'Penso no Cruzeiro muito mais descentralizado'

Vinícius Dias

Aos 34 anos, acumulando experiências no departamento jurídico e nas superintendências de gestão estratégica, negócios internacionais e futebol, Sérgio Santos Rodrigues concorrerá à presidência do Cruzeiro nas eleições deste ano. Indicado por Zezé Perrella, o advogado encabeça a chapa Tríplice Coroa com um discurso baseado em gestão e defendendo que o clube seja tratado como empresa. "Envolve eu ter metas, ter um planejamento estratégico, um organograma muito bem definido, orçamento separado por áreas", argumenta ao Blog Toque Di Letra.

Sérgio Rodrigues revela propostas
(Créditos: Ricardo Barbosa/ALMG)

Com o nome lançado apenas três meses depois de deixar a diretoria de Gilvan de Pinho Tavares, o pré-candidato descarta o rótulo de opositor, mas reconhece que há divergência de ideias. "Penso em um Cruzeiro muito mais descentralizado", exemplifica, propondo a criação de um Conselho Consultivo de ex-presidentes. O advogado também responde a questões sobre finanças, participação do senador Zezé Perella em um eventual mandato presidencial e destaca projetos referentes à criação de uma fundação social, equipe sub-23 e futebol feminino no clube celeste.

Desde que assumiu a cabeça de chapa, há duas semanas, o mote de seu discurso tem sido o termo gestão. No último ano, você fez um curso no Real Madrid. Apesar das diferenças econômicas, o que pode ser importado do futebol europeu nesta área? No Brasil, quais são, atualmente, suas referências?

Uma, certamente, é o modelo de profissionalização. A diferença de um Real Madrid, por exemplo, é isso. É você tratar o time como empresa, e não como uma associação sem fins lucrativos. Quando eu falo tratar como empresa é isso: envolve eu ter metas, ter um planejamento estratégico, um organograma muito bem definido, orçamento separado por áreas. Então, não é porque a realidade econômica é diferente que os métodos de gestão não possam ser utilizados aqui. Do Brasil, certamente, o maior exemplo é o Flamengo.

Você tem afirmado que não se vê como oposição, embora ressalte a divergência de ideias em relação ao grupo atual, de situação. Quais são essas ideias? A quatro meses do pleito, elas eliminam qualquer possibilidade de composição?

A divergência de ideias, primeiro, é exatamente essa. Eu penso em um Cruzeiro muito mais descentralizado e administrado como empresa do que em um Cruzeiro em que menos pessoas tomam decisões... Segundo, não é que diminui (a possibilidade de composição). Nós sempre estamos abertos ao diálogo. O próprio presidente Gilvan falou em uma entrevista que nós conversamos no sábado (dia 10) e, de fato, nós conversamos. Só que eu acho que passa por as ideias serem convergentes. Já conhecemos as ideias de várias pessoas. Então, quando a gente for falar sobre nome para uma eventual composição, tem que saber se esse nome está no perfil que se enquadra com a gente.

Hoje, a decisão dos rumos do Cruzeiro está restrita a cerca de 500 conselheiros. Como você avalia a participação do torcedor, que já é realidade em alguns clubes brasileiros? Seria uma alternativa para alavancar o programa de sócios-torcedores, cujos números tiveram queda nesta temporada?

Acho que a gente tem que saber analisar isso bem, porque muitos dos clubes que têm esse voto do sócio-torcedor não são clubes sociais, são só clubes de futebol... eu sei que há clubes sociais que têm isso também. Mas é um modelo que tem que ser bem desenhado, sob pena de a gente monetizar uma eleição. Quais requisitos serão colocados? Senão, corro o risco de chegar alguém que tem muito dinheiro, compra 20 mil sócios-torcedores em um momento pré-eleição e coloca o pessoal para votar. Não sei até que ponto, em um clube como o Cruzeiro, isso é bom.

Se você me perguntar se eu sou a favor ou contra, eu te respondo tranquilamente: não tenho posição definida. Gostaria, como sempre faço nesse modelo de profissionalização que a gente propõe, de estudar como está sendo feito em outros clubes: quais clubes exatamente estão fazendo, em quais moldes, para saber os resultados. Há clube em que o sócio-torcedor tem que estar cinco anos adimplente para votar, outros têm mais sócios, menos sócios. Enfim, acho que é um modelo que deve ser analisado com mais calma. Eu não seria fechado a ele, mas, ao mesmo tempo, não prometo que faria.

Diversos aliados seus têm exaltado o projeto da chamada Fundação Cruzeiro. Na prática, como funcionaria? Quais os benefícios para o clube? Você esteve na administração de 2009 ao início de 2017. Em algum momento, chegou a apresentá-lo à presidência?

Sim, cheguei a apresentar. Logo que eu voltei de Madrid, no ano passado, fiquei encantado com a Fundação Real Madrid. Estudei mais, vi como trabalham as fundações Barcelona, Inter de Milão, Manchester United. O mote delas é devolver para a sociedade o que a sociedade dá para o clube de futebol. A do Real Madrid, por exemplo, investe muito mais fora do que dentro da Europa. Só na África, eles atendem 48 mil crianças. Eu sei que é de uma magnitude muito maior, mas, no Brasil, a gente tem uma carência disso. Além de, obviamente, ter essa forma de praticar uma responsabilidade social, fortalece a marca.

Então, se eu trabalho a marca Cruzeiro por meio da fundação em regiões mais carentes, além de estar fazendo o bem, demonstra que o clube tem essa preocupação em retornar para a sociedade o que ela dá para o Cruzeiro. Isso vai decorrer de diversos projetos. Podem juntar a parte educacional com o futebol. No projeto que a gente fez, está incluído um pouco de projeto paralímpico, que eu acho maravilhoso de a gente investir. Está crescendo bastante, existe lei de incentivo para isso. Enfim, a fundação é uma instituição que dá para ser gerida com 100% de recursos próprios e que eu tenho certeza de que, além de fazer o bem, vai demonstrar que a mentalidade do Cruzeiro é outra: pensa para frente e pensa na sociedade.

De 2011 a 2016, período que contempla o último ano do Zezé e os cinco primeiros do Gilvan, o Cruzeiro teve seis exercícios deficitários seguidos. Quais são os caminhos para ter elenco competitivo, mas mantendo as finanças equilibradas? Ou sua prioridade, a princípio, seria a busca por superávit?

É possível manter os dois. Não é busca por superávit, é busca por equalização. Por isso que eu digo que o Flamengo é um exemplo. Hoje, você vê o Flamengo com Éverton Ribeiro, Guerrero, Diego, Conca, enfim, jogadores com salários altos, de alto quilate, e que eu tenho certeza de que são contratados dentro de um orçamento. A gente só precisa equilibrar isso. Tem que parar de contratar por contratar, de contratar porque eu acho que é bom. A gente tem que contratar aquilo que vai se encaixar dentro do perfil técnico, mas que também seja capaz de encaixar no orçamento. Por exemplo, nada impede que o Cruzeiro, hoje, traga o Éverton Ribeiro. Mas, para trazê-lo, eu teria que tirar jogadores.

Às vezes, nós temos um plantel muito grande. Hoje, trabalha-se, fala-se em grupo profissional com 33, 34 jogadores. Acho que é possível tirar alguns, e nós vamos somar praticamente o salário do Éverton Ribeiro. É só ter mais cuidado na forma de contratar. Em vez de oito com quantidade, contratar com qualidade. Assim, é possível atingir tanto o equilíbrio econômico quanto as grandes contratações... O objetivo de um time de futebol não é ter lucro, é ganhar títulos. Mas a gente quer casar os dois e vários exemplos no mundo demonstram que isso é possível ser feito com gestão profissional. Certamente, se eu vier a ser presidente do Cruzeiro, a partir de 1° de janeiro, a gente já vem para ser campeão mineiro, depois campeão brasileiro, Copa do Brasil. Mas sempre tentando equilibrar a parte financeira.

A partir de 2019, uma das exigências para disputar a Libertadores será a manutenção de um time feminino. No Dia Internacional da Mulher, Zezé Perrella prometeu grande investimento na modalidade. Agora como candidato do grupo político dele, como você visualiza a implementação no Cruzeiro?

Certamente, faremos. Vamos cumprir isso que o Zezé falou, até porque é um projeto muito bacana, é um esporte que vem crescendo muito no mundo. Acho que o ideal é a gente sempre buscar parceiros para não ter que realocar os recursos do futebol profissional ali. Mas, se isso não for possível, a gente tem que buscar (alternativas). Acredito que tenha lei incentivada para isso. Temos que buscar fazer com que o time seja sustentável. Essa é a ideia.

É muito complicado no desporto de alto rendimento, igual a gente tem o nosso futebol profissional, eu deixar de contratar um bom jogador para manter o futebol feminino, a princípio. Acho que, mais para frente, quando o futebol feminino também for mais rentável, pode ser possível. Mas, hoje, o ideal é que a gente tenha parceiros que consigam bancar isso.

Neste ano, o Atlético disputará o Campeonato Mineiro da Segunda Divisão com time sub-23. Clubes como Inter e Grêmio têm projetos semelhantes, a Primeira Liga pode adotar esse recorte em 2018. No Cruzeiro, vários recém-promovidos estão emprestados. Esse pode ser um meio de o próprio clube lapidar os atletas?

Vejo com excelentes olhos. Não é nem com bons, não. O Atlético/PR, que é uma referência de base, também tem. Nos clubes europeus, é mais que uma realidade você ter o sub-23 disputando as segundas divisões de campeonatos. Lá não tem o regional, às vezes até participam do nacional. O Atlético/PR, por exemplo, às vezes empresta o sub-23 para algum clube jogar o Paulista. Não tenho dúvidas de que pode ser uma coisa excelente para nós. Temos que ver a viabilidade de fazer isso na Toca I, na Toca II. Mas é um projeto que faz parte dos nossos planos.

Voltando à chapa Tríplice Coroa, sua relação com Zezé Perrella, que lançou sua candidatura em mensagem aos conselheiros, vai além do Cruzeiro. Você é amigo e advogado dele. Caso seja eleito presidente, como você planeja administrar o clube em relação à participação do senador ou total autonomia nas decisões?

Na verdade, não é só do senador. Nós somos um grupo. Esse grupo também tem o Alvimar Perrella, tem o Giovanni Baroni, que é o atual vice-presidente da chapa, temos que escolher quem vai ser o outro. Então, essa participação de todos vai ser efetiva. Não vai existir interferência de um, dois ou três. A gente sempre discute as boas coisas para o Cruzeiro, e é inegável o que Alvimar e Zezé já fizeram de bom para o clube. Mas, mais do que isso, até lancei como proposta, nós queremos fazer um Conselho Consultivo de ex-presidentes.

Eu também quero ouvir o doutor Gilvan, quero ouvir o doutor (José Francisco) Lemos, César Masci, já convidei o Rafael Brandi para fazer parte em nome do pai dele (Felício). Acho importante ouvir todos aqueles que construíram a história do Cruzeiro para que eles possam nos ajudar com a experiência que têm. Então, não vai ser, porque eu sou indicado pelo Zezé, o Zezé vai tomar decisões. Dentro das decisões de composição no nosso grupo, o grupo inteiro vai tomar. Dentro de decisões boas para o Cruzeiro, eu quero ouvir todos os ex-presidentes.