22/06/2017


Equipe alvinegra perdeu, no máximo, 16 pontos por edição na era
Horto; neste ano, com Roger, somou apenas cinco dos 15 possíveis

Vinícius Dias

Ponte forte do Atlético no Campeonato Brasileiro de 2012, quando terminou na segunda colocação, o rendimento dentro de casa está aquém do esperado nesta edição. O empate por 2 a 2 contra o Sport, nessa quarta-feira, na Arena Independência, manteve o time alvinegro entre os quatro piores mandantes, com apenas cinco pontos em 15 disputados: 33,3%. No quesito aproveitamento, os comandados de Roger Machado superam apenas o Vitória, que conquistou 26,7% dos pontos em Salvador.


Os números em Belo Horizonte têm incomodado o treinador. "A expectativa para os jogos dentro de casa tem que ser alta. A normalidade é que o mandante vença pelo menos 60% dos jogos. Associada à expectativa criada em torno dos jogadores contratados, isso aumenta. Não dá para fugir da responsabilidade e atribuir nosso insucesso a outras coisas", ponderou após a partida diante do rubro-negro pernambucano. Na classificação geral, o Atlético aparece em 16º lugar, com nove pontos.

Atlético tropeçou nessa quarta-feira
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Desde 2012, quando voltou a mandar seus jogos em Belo Horizonte, o Atlético perdeu, no máximo, 16 pontos como mandante por edição. Em 2015 e 2016, o time alvinegro fez suas piores campanhas em casa: 71,9% de aproveitamento. Os melhores números foram registrados justamente na primeira temporada da era Horto: 14 vitórias e cinco empates, com 82,5% sob o comando de Cuca. Neste Campeonato Brasileiro, disputadas cinco partidas, a equipe já desperdiçou dez pontos.

Campanhas no Brasileirão - era Horto:

2012 - 14 vitórias e cinco empates - 82,5% em casa
2013 - 13 vitórias, cinco empates e uma derrota - 77,2% em casa
2014 - 12 vitórias, cinco empates e duas derrotas - 71,9% em casa
2015 - 13 vitórias, dois empates e quatro derrotas - 71,9% em casa
2016 - 13 vitórias, três empates e três derrotas - 73,7% em casa
2017 - uma vitória, dois empates e duas derrotas - 33,3% em casa

21/06/2017

Ação do Cruzeiro é premiada em Cannes

Vinícius Dias*

A ação realizada pelo Cruzeiro no Dia Internacional da Mulher, em parceria com a ONG AzMina e com apoio da Umbro e da Agência New360, segue repercutindo mundo afora. A campanha #VamosMudarOsNúmeros, que já havia concorrido ao Leão de ouro na categoria Promo, foi premiada nesta quarta-feira com o Leão de bronze na categoria Media do Cannes Lions 2017 - Festival Internacional de Criatividade, na França.

Camisas deram destaque a estatísticas
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Divulgação)

Na noite de 08 de março, a Raposa propôs uma reflexão sobre as desigualdades de gênero e a violência contra a mulher no Brasil. Os jogadores da equipe comandada por Mano Menezes entraram em campo para o confronto contra o Murici, válido pela terceira fase da Copa do Brasil, em Alagoas, estampando nas camisas estatísticas referentes às dificuldades enfrentadas pelo público feminino no dia a dia.

Campanha em confronto contra o Murici
(Créditos: Thiago Parmalat/Light Press/Cruzeiro)

A 11 de Alisson, por exemplo, destacou que uma mulher é estuprada no país a cada 11 minutos. A 27 do zagueiro Manoel, autor do primeiro gol, trouxe mensagem sobre a continuidade de 27% das vítimas com seus agressores. A 9 de Ramón Ábila, que deu números finais à partida, ressaltou que apenas nove em cada 100 deputados são do sexo feminino.

*Atualizada às 17h10


Aos 87 anos, relação com a equipe alviverde mantém força mesmo
diante de batalha contra doença que provoca a perda de memória

Vinícius Dias

"Sou América, América, América", assegura Olívio de Oliveira, mais conhecido como Nêgo. Em meio à batalha contra o mal de Alzheimer, doença degenerativa que provoca atrofia do cérebro e perda de memória, o belorizontino, de 87 anos, tem dado mostras de que a paixão pelo clube alviverde está intacta. A relação é tema de vídeo produzido pelo casal Ana Luiza Saraiva e Jotapê Saraiva, neto do torcedor do Coelho.



"Toda vez que venho visitá-lo, ele não se lembra de praticamente nada. Pergunto meu nome, meu pai pergunta, todos perguntam e, muitas vezes, ele esquece. Na verdade, do meu nome ele praticamente não se lembra mais. Só que o time dele, ele costuma não esquecer de jeito nenhum", destaca Jotapê, graduado em Publicidade e Propaganda e criador do Brand Bola, projeto sobre marketing no futebol.

Laços entre torcedor e futebol

As recordações vão além do nome do clube. Morador do bairro Santa Inês, na região Leste da capital mineira, Olívio menciona em outros trechos do vídeo a mascote alviverde e o extinto estádio Otacílio Negrão de Lima, onde o América mandou seus jogos por mais de quatro décadas. "Isso mostra a importância dos clubes de futebol na vida, na história das pessoas", acrescenta o neto, especialista em marketing.

20/06/2017

Vencer, vencer: esse é o nosso ideal

Alisson Millo*

Finalmente fora do Z4, com uma grande vitória diante do São Paulo - a primeira fora de casa - e o retorno de jogadores importantes, como Cazares e Luan. Esse é o saldo do fim de semana do Atlético, positivo como há muito tempo não se via. Mais na raça do que na técnica, em alguns momentos relembrando o bom espírito galo doido, os três pontos tiraram o time da incômoda posição no Campeonato Brasileiro e deram um alívio para o treinador, que parecia estar com a continuidade ameaçada.


Após duas derrotas, uma delas em casa, com um a mais, vencer era o respiro necessário. Se não fosse bonito, e de fato não foi, que fosse eficaz. Rafael Moura pouco tocou na bola, mas marcou na chance que teve. Alex Silva superou a desconfiança e ainda deu carrinho, desarmando Pratto e evitando o que seria o gol da virada tricolor. Ao substituir Carioca, que de novo ficou devendo, Ralph foi o cão de guarda que faltava desde a lesão de Adilson. Rodrigão jogou poucos minutos, mas afastou o perigo em bolas levantadas na área. Yago vem se firmando. Se não for na técnica dos medalhões, tem que ser na raça de quem tem o DNA do Atlético.

Atlético somou três pontos no Morumbi
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

De certa forma, essa sempre foi a tônica do Galo. Com o coração na ponta da chuteira se fez nossa história centenária e, em um momento de dificuldade como o que o time se encontra, a volta às origens era o que faltava. Verbo usado no presente porque ainda falta muito para o Atlético chegar a uma posição de brigar por qualquer coisa significativa - e nenhum torcedor vai aceitar menos do que muita entrega e uma boa colocação no final do Brasileirão. A porta do Z4 não é mais uma realidade aceitável e os jogadores precisam entender isso. O Atlético nunca foi o time da soberba e do salto alto que alguns jogadores têm mostrado.

De Libertadores a Copa do Brasil

Um comportamento desse pode custar muito caro, por exemplo, na Libertadores. No sorteio das oitavas de final, caímos contra o Jorge Willstermann, da Bolívia. Em tese, adversário fácil, de pouca tradição. Mas, se o time entrar com o pensamento de que ganhará a qualquer hora, vai sofrer como vem sofrendo. Que os dois gols que levou do fraco Sport Boys, na Arena Independência, tenham servido de lição. O jargão é antigo, mas nunca foi tão preciso: não existe mais bobo no futebol. O sonho de mais um título continental pode se tornar realidade. Temos qualidade e elenco para isso, falta entrega dentro de campo.

Galo bateu o Paraná na Copa do Brasil
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Tudo o que foi falado sobre a Libertadores vale em dobro para a Copa do Brasil. Se o time reverteu a derrota diante do Paraná e conseguiu a classificação, ter sofrido contra um adversário de Série B, com investimento muito menor, é motivo para acender a luz amarela no Atlético. Por pouco o 'ganhar a hora em que quiser' não custou ao Galo um de seus principais objetivos na temporada. Pela frente agora o Botafogo, que, por mais que não viva sua melhor fase, tem bons jogadores e pode complicar para o lado de qualquer time que se achar superior ao que realmente é.

Título e exemplo vindos da base

Um exemplo de trabalho bem feito, com a cara do Galo, está bem perto. O time sub-20 acabou de ser campeão da Copa do Brasil da categoria, superando Vasco e Flamengo na semifinal e na final, respectivamente. Principalmente no jogo contra o cruzmaltino, em São Januário, quando o Galinho buscou a virada fazendo dois gols nos acréscimos. Contra o rubro-negro, dois empates e título nos pênaltis, brilhando a estrela de Cleiton, que defendeu três - qualquer semelhança com Victor é mera coincidência. Com um elenco reduzido, os garotos devem ser utilizados no time principal e, no mínimo, já provaram que têm sangue nos olhos.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!

19/06/2017


Gestão é o mote do discurso do advogado, que cita Flamengo como
exemplo e garante: 'Penso no Cruzeiro muito mais descentralizado'

Vinícius Dias

Aos 34 anos, acumulando experiências no departamento jurídico e nas superintendências de gestão estratégica, negócios internacionais e futebol, Sérgio Santos Rodrigues concorrerá à presidência do Cruzeiro nas eleições deste ano. Indicado por Zezé Perrella, o advogado encabeça a chapa Tríplice Coroa com um discurso baseado em gestão e defendendo que o clube seja tratado como empresa. "Envolve eu ter metas, ter um planejamento estratégico, um organograma muito bem definido, orçamento separado por áreas", argumenta ao Blog Toque Di Letra.

Sérgio Rodrigues revela propostas
(Créditos: Ricardo Barbosa/ALMG)

Com o nome lançado apenas três meses depois de deixar a diretoria de Gilvan de Pinho Tavares, o pré-candidato descarta o rótulo de opositor, mas reconhece que há divergência de ideias. "Penso em um Cruzeiro muito mais descentralizado", exemplifica, propondo a criação de um Conselho Consultivo de ex-presidentes. O advogado também responde a questões sobre finanças, participação do senador Zezé Perella em um eventual mandato presidencial e destaca projetos referentes à criação de uma fundação social, equipe sub-23 e futebol feminino no clube celeste.

Desde que assumiu a cabeça de chapa, há duas semanas, o mote de seu discurso tem sido o termo gestão. No último ano, você fez um curso no Real Madrid. Apesar das diferenças econômicas, o que pode ser importado do futebol europeu nesta área? No Brasil, quais são, atualmente, suas referências?

Uma, certamente, é o modelo de profissionalização. A diferença de um Real Madrid, por exemplo, é isso. É você tratar o time como empresa, e não como uma associação sem fins lucrativos. Quando eu falo tratar como empresa é isso: envolve eu ter metas, ter um planejamento estratégico, um organograma muito bem definido, orçamento separado por áreas. Então, não é porque a realidade econômica é diferente que os métodos de gestão não possam ser utilizados aqui. Do Brasil, certamente, o maior exemplo é o Flamengo.

Você tem afirmado que não se vê como oposição, embora ressalte a divergência de ideias em relação ao grupo atual, de situação. Quais são essas ideias? A quatro meses do pleito, elas eliminam qualquer possibilidade de composição?

A divergência de ideias, primeiro, é exatamente essa. Eu penso em um Cruzeiro muito mais descentralizado e administrado como empresa do que em um Cruzeiro em que menos pessoas tomam decisões... Segundo, não é que diminui (a possibilidade de composição). Nós sempre estamos abertos ao diálogo. O próprio presidente Gilvan falou em uma entrevista que nós conversamos no sábado (dia 10) e, de fato, nós conversamos. Só que eu acho que passa por as ideias serem convergentes. Já conhecemos as ideias de várias pessoas. Então, quando a gente for falar sobre nome para uma eventual composição, tem que saber se esse nome está no perfil que se enquadra com a gente.

Hoje, a decisão dos rumos do Cruzeiro está restrita a cerca de 500 conselheiros. Como você avalia a participação do torcedor, que já é realidade em alguns clubes brasileiros? Seria uma alternativa para alavancar o programa de sócios-torcedores, cujos números tiveram queda nesta temporada?

Acho que a gente tem que saber analisar isso bem, porque muitos dos clubes que têm esse voto do sócio-torcedor não são clubes sociais, são só clubes de futebol... eu sei que há clubes sociais que têm isso também. Mas é um modelo que tem que ser bem desenhado, sob pena de a gente monetizar uma eleição. Quais requisitos serão colocados? Senão, corro o risco de chegar alguém que tem muito dinheiro, compra 20 mil sócios-torcedores em um momento pré-eleição e coloca o pessoal para votar. Não sei até que ponto, em um clube como o Cruzeiro, isso é bom.

Se você me perguntar se eu sou a favor ou contra, eu te respondo tranquilamente: não tenho posição definida. Gostaria, como sempre faço nesse modelo de profissionalização que a gente propõe, de estudar como está sendo feito em outros clubes: quais clubes exatamente estão fazendo, em quais moldes, para saber os resultados. Há clube em que o sócio-torcedor tem que estar cinco anos adimplente para votar, outros têm mais sócios, menos sócios. Enfim, acho que é um modelo que deve ser analisado com mais calma. Eu não seria fechado a ele, mas, ao mesmo tempo, não prometo que faria.

Diversos aliados seus têm exaltado o projeto da chamada Fundação Cruzeiro. Na prática, como funcionaria? Quais os benefícios para o clube? Você esteve na administração de 2009 ao início de 2017. Em algum momento, chegou a apresentá-lo à presidência?

Sim, cheguei a apresentar. Logo que eu voltei de Madrid, no ano passado, fiquei encantado com a Fundação Real Madrid. Estudei mais, vi como trabalham as fundações Barcelona, Inter de Milão, Manchester United. O mote delas é devolver para a sociedade o que a sociedade dá para o clube de futebol. A do Real Madrid, por exemplo, investe muito mais fora do que dentro da Europa. Só na África, eles atendem 48 mil crianças. Eu sei que é de uma magnitude muito maior, mas, no Brasil, a gente tem uma carência disso. Além de, obviamente, ter essa forma de praticar uma responsabilidade social, fortalece a marca.

Então, se eu trabalho a marca Cruzeiro por meio da fundação em regiões mais carentes, além de estar fazendo o bem, demonstra que o clube tem essa preocupação em retornar para a sociedade o que ela dá para o Cruzeiro. Isso vai decorrer de diversos projetos. Podem juntar a parte educacional com o futebol. No projeto que a gente fez, está incluído um pouco de projeto paralímpico, que eu acho maravilhoso de a gente investir. Está crescendo bastante, existe lei de incentivo para isso. Enfim, a fundação é uma instituição que dá para ser gerida com 100% de recursos próprios e que eu tenho certeza de que, além de fazer o bem, vai demonstrar que a mentalidade do Cruzeiro é outra: pensa para frente e pensa na sociedade.

De 2011 a 2016, período que contempla o último ano do Zezé e os cinco primeiros do Gilvan, o Cruzeiro teve seis exercícios deficitários seguidos. Quais são os caminhos para ter elenco competitivo, mas mantendo as finanças equilibradas? Ou sua prioridade, a princípio, seria a busca por superávit?

É possível manter os dois. Não é busca por superávit, é busca por equalização. Por isso que eu digo que o Flamengo é um exemplo. Hoje, você vê o Flamengo com Éverton Ribeiro, Guerrero, Diego, Conca, enfim, jogadores com salários altos, de alto quilate, e que eu tenho certeza de que são contratados dentro de um orçamento. A gente só precisa equilibrar isso. Tem que parar de contratar por contratar, de contratar porque eu acho que é bom. A gente tem que contratar aquilo que vai se encaixar dentro do perfil técnico, mas que também seja capaz de encaixar no orçamento. Por exemplo, nada impede que o Cruzeiro, hoje, traga o Éverton Ribeiro. Mas, para trazê-lo, eu teria que tirar jogadores.

Às vezes, nós temos um plantel muito grande. Hoje, trabalha-se, fala-se em grupo profissional com 33, 34 jogadores. Acho que é possível tirar alguns, e nós vamos somar praticamente o salário do Éverton Ribeiro. É só ter mais cuidado na forma de contratar. Em vez de oito com quantidade, contratar com qualidade. Assim, é possível atingir tanto o equilíbrio econômico quanto as grandes contratações... O objetivo de um time de futebol não é ter lucro, é ganhar títulos. Mas a gente quer casar os dois e vários exemplos no mundo demonstram que isso é possível ser feito com gestão profissional. Certamente, se eu vier a ser presidente do Cruzeiro, a partir de 1° de janeiro, a gente já vem para ser campeão mineiro, depois campeão brasileiro, Copa do Brasil. Mas sempre tentando equilibrar a parte financeira.

A partir de 2019, uma das exigências para disputar a Libertadores será a manutenção de um time feminino. No Dia Internacional da Mulher, Zezé Perrella prometeu grande investimento na modalidade. Agora como candidato do grupo político dele, como você visualiza a implementação no Cruzeiro?

Certamente, faremos. Vamos cumprir isso que o Zezé falou, até porque é um projeto muito bacana, é um esporte que vem crescendo muito no mundo. Acho que o ideal é a gente sempre buscar parceiros para não ter que realocar os recursos do futebol profissional ali. Mas, se isso não for possível, a gente tem que buscar (alternativas). Acredito que tenha lei incentivada para isso. Temos que buscar fazer com que o time seja sustentável. Essa é a ideia.

É muito complicado no desporto de alto rendimento, igual a gente tem o nosso futebol profissional, eu deixar de contratar um bom jogador para manter o futebol feminino, a princípio. Acho que, mais para frente, quando o futebol feminino também for mais rentável, pode ser possível. Mas, hoje, o ideal é que a gente tenha parceiros que consigam bancar isso.

Neste ano, o Atlético disputará o Campeonato Mineiro da Segunda Divisão com time sub-23. Clubes como Inter e Grêmio têm projetos semelhantes, a Primeira Liga pode adotar esse recorte em 2018. No Cruzeiro, vários recém-promovidos estão emprestados. Esse pode ser um meio de o próprio clube lapidar os atletas?

Vejo com excelentes olhos. Não é nem com bons, não. O Atlético/PR, que é uma referência de base, também tem. Nos clubes europeus, é mais que uma realidade você ter o sub-23 disputando as segundas divisões de campeonatos. Lá não tem o regional, às vezes até participam do nacional. O Atlético/PR, por exemplo, às vezes empresta o sub-23 para algum clube jogar o Paulista. Não tenho dúvidas de que pode ser uma coisa excelente para nós. Temos que ver a viabilidade de fazer isso na Toca I, na Toca II. Mas é um projeto que faz parte dos nossos planos.

Voltando à chapa Tríplice Coroa, sua relação com Zezé Perrella, que lançou sua candidatura em mensagem aos conselheiros, vai além do Cruzeiro. Você é amigo e advogado dele. Caso seja eleito presidente, como você planeja administrar o clube em relação à participação do senador ou total autonomia nas decisões?

Na verdade, não é só do senador. Nós somos um grupo. Esse grupo também tem o Alvimar Perrella, tem o Giovanni Baroni, que é o atual vice-presidente da chapa, temos que escolher quem vai ser o outro. Então, essa participação de todos vai ser efetiva. Não vai existir interferência de um, dois ou três. A gente sempre discute as boas coisas para o Cruzeiro, e é inegável o que Alvimar e Zezé já fizeram de bom para o clube. Mas, mais do que isso, até lancei como proposta, nós queremos fazer um Conselho Consultivo de ex-presidentes.

Eu também quero ouvir o doutor Gilvan, quero ouvir o doutor (José Francisco) Lemos, César Masci, já convidei o Rafael Brandi para fazer parte em nome do pai dele (Felício). Acho importante ouvir todos aqueles que construíram a história do Cruzeiro para que eles possam nos ajudar com a experiência que têm. Então, não vai ser, porque eu sou indicado pelo Zezé, o Zezé vai tomar decisões. Dentro das decisões de composição no nosso grupo, o grupo inteiro vai tomar. Dentro de decisões boas para o Cruzeiro, eu quero ouvir todos os ex-presidentes.

17/06/2017

Perder jamais será normal, Cruzeiro!

Douglas Zimmer*

Caros cruzeirenses,

Serei breve hoje, pois o que o atual time do Cruzeiro me faz sentir não precisa de longos parágrafos e de termos complicados para expressar. Uma palavra tem me incomodado muito, e é nela que eu gostaria de basear minha reflexão. O Cruzeiro precisa, urgentemente, parar de se basear no que é considerado normal no futebol. Tudo bem que alguns jogos já começam com resultado mais provável do que outros e que uma derrota diante de time A ou B é considerada normal pela imprensa e pela torcida. Para mim, isso não interessa. Para o Cruzeiro, também não deveria interessar.


Ninguém vai longe nessa vida se não arriscar e tentar superar aquilo que a sociedade e o meio em que se vive chamam de normal. Posso pegar o jogo de quarta-feira, contra o Corinthians, como exemplo do que estou tentando dizer. Com certa razão, todo mundo afirma que perder para o time paulista, com o elenco que lá está, em Itaquera, é normal. Não é nada de assombroso ou que faça derrotado coçar a cabeça preocupado. Que seja! Pode até ser que, pelas circunstâncias, a normalidade dessa derrota seja realmente um fato. Mas, se é assim, que se mudem as circunstâncias.

Time perdeu para o Corinthians na quarta
(Créditos: Marcello Zambrana/Light Press/Cruzeiro)

Como já disse, esse é só um dos vários exemplos. É quase um resumo do sistema adotado na Toca II: nortear-se pelo normal. Se o Cruzeiro sai ganhando, quase sempre senta na vantagem e abdica do jogo. Se toma o empate, é porque é normal ceder o resultado contra um time franco-atirador, ousado e sem nada a perder. Assim como é normal perder para o Bahia em Salvador, como teria sido perder para o Santos na Vila Belmiro, para o São Paulo onde quer que fosse o jogo, para a Chapecoense, que veio com a faca nos dentes nos enfrentar em BH. Tudo, hoje em dia, é analisado com base no que é normal. Dane-se o que é normal!

Que seja normal... a dedicação

Temos elenco, treinador, infraestrutura e investimento mais do que suficientes para sairmos do normal. Para transformar a surpresa ao oponente em algo habitual. Como Ábila bem disse, que o adversário saiba que, para ele, sim, é normal perder para o Cruzeiro, ainda mais no Mineirão. Se fizerem tanta questão de que essa palavra continue sendo proferida no Barro Preto, que seja assim. Normal, só se for a vontade permanente de buscar a vitória e de não parar de lutar enquanto houver tempo. Que seja normal não esperar o adversário tomar as rédeas da partida para, só aí, acordar para a vida e buscar um gol, um erro ou um milagre.

Lutar pelas vitórias: isso, sim, é Cruzeiro 
(Créditos: Marcello Zambrana/Light Press/Cruzeiro)

Nem sempre o melhor vence. Mas ninguém vence sem querer. Ninguém vence por acaso, por obra do destino. Ninguém vence porque é normal. Então, meus amigos, não podemos admitir que percamos um jogo porque, 'ah, nesse jogo a derrota é normal'. Dane-se o normal.

Força, Cruzeiro!

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

16/06/2017


Atual segundo vice voltará a disputar as eleições presidenciais neste
ano e pontua: 'Depois de cinco anos na Toca I, hoje estou preparado'

Vinícius Dias

Depois de cinco anos e meio ocupando a segunda vice-presidência do Cruzeiro, Márcio Rodrigues se prepara para concorrer ao cargo máximo nas eleições que acontecerão no próximo semestre. "A gente está procurando nosso espaço. Acho que a minha hora chegou", afirma ao Blog Toque Di Letra. "O Cruzeiro é uma grande empresa. Tem que ser administrado (presidido), na minha opinião, por empresário", completa o atacadista, que também atua no ramo imobiliário e, desde o início de 2012, é responsável pelas categorias de base do clube celeste.


Prestes a oficializar sua segunda participação no pleito - na primeira, em 2008, enfrentou Zezé Perella, cuja chapa tinha Gilvan de Pinho Tavares como primeiro vice -, Márcio Rodrigues coloca o tri da Libertadores e o título Mundial entre as metas. "Nós temos que fazer um Cruzeiro forte. Nosso projeto é um projeto de vitórias, de conquistas. Se o futebol vai bem, o restante vai bem: valoriza a marca, seus jogadores, o patrocínio. O negócio é gestão, administrar bem o futebol. Errar o mínimo possível nas contratações e não gastar mais do que recebe", pondera.

Márcio Rodrigues: proposta de time forte
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Já se movimentando nos bastidores do Barro Preto, o dirigente, que ainda não confirmou os demais nomes de sua chapa, rechaça o rótulo de opositor. "Não sou oposição a ninguém. Sou o atual (segundo) vice do Gilvan, que é meu amigo, gosto muito dele". Em meio à indefinição sobre o candidato do grupo de situação, Márcio se reuniu com o presidente na última segunda-feira. "A base da conversa foi pedido de apoio ao Gilvan. Política muda muito. Amanhã ele pode resolver me apoiar", revela.

Projetos e conquistas na Toca I

Um dos pilares do discurso do pré-candidato é a internacionalização da marca Cruzeiro, tendo como referência projetos desenvolvidos na Toca I. "Como eu fiz nas categorias de base, no departamento internacional. Fiz parcerias com a Tailândia, com o Cazaquistão, melhoramos o nosso intercâmbio e, hoje, estamos recebendo meninos do Japão, da Austrália, do Canadá", enumera. "Temos que fazer algumas viagens com o profissional para o exterior e fazer time forte, porque, com um time forte, você está elevando o nome do Cruzeiro para o Brasil e o mundo", emenda.

Parceria entre Cruzeiro e Cazaquistão
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Divulgação)

À frente da base, Márcio conviveu com uma rotina de títulos - entre eles o Brasileiro sub-20, em 2012, e o inédito tetra estadual da categoria, de 2013 a 2016 - e revelação de atletas e dirigentes. Em campo, a lista inclui os bicampeões brasileiros Mayke, Lucas Silva, Alisson e Vinícius Araújo. Fora, tem nomes como Bruno Vicintin, Klauss Câmara e Pedro Moreira, atuais vice, diretor e supervisor de futebol, respectivamente. "Na nossa gestão, a base se aproximou do profissional. Sub-17 e sub-20 estão sempre treinando com os profissionais. Mas podemos interligar ainda mais", projeta.

15/06/2017

O Atlético que não convence nem vence

Vinícius Dias

Falha de Felipe Santana, arrancada de Sidcley e gol do Atlético/PR aos 44 minutos do segundo tempo: 1 a 0 na Arena Independência, o golpe final diante de um Atlético que mostra cada vez menos ideias e inicia mal o Campeonato Brasileiro. Apenas seis pontos conquistados em 21 possíveis, sem convencer no único triunfo e com duas derrotas consecutivas para lanternas. Segundo pior ataque - cinco gols marcados, a exemplo do rival Cruzeiro -, segundo pior mandante após sete rodadas.


As vaias ao fim da partida marcaram o contraste entre a expectativa do torcedor e o que, de fato, o time de Roger Machado apresenta. Lucho González foi expulso aos 39' da etapa inicial. Era natural que o Atlético tivesse maior posse, girasse a bola em busca dos espaços e os encontrasse à medida que o Furacão se desgastasse. Mas o que se viu foram cruzamentos para a área - 63, apenas oito certos, de acordo com o Footstats - e o adversário aproveitando os espaços para incomodar.

Atlético: seis pontos em sete rodadas
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

O time que somou apenas dois pontos em três jogos fora - por trás dos números, empates com Flamengo e Palmeiras, é verdade - na competição que tem o melhor visitante como campeão desde 2011 começa também desperdiçando pontos no Horto. O que não é regra. Desde que voltou a mandar suas partidas em Belo Horizonte, a edição com mais derrotas em casa foi a de 2014: quatro em 19 rodadas. Neste ano, já foram duas em quatro, com raros lampejos de bom futebol.

O futebol segue aquém do elenco e do que consagrou Roger.
Até aqui, o Atlético é um time que não convence nem vence.

14/06/2017


Argentino soma 25 gols e três assistências em partidas oficiais pelo
Cruzeiro; equipe paulista é a principal vítima no futebol brasileiro

Vinícius Dias

Autor dos gols da vitória sobre o Atlético/GO, Ramón Ábila reafirmou no último domingo, no Mineirão, a condição de protagonista neste início de Campeonato Brasileiro. Em seis rodadas, o argentino teve participação direta nos três triunfos e em quatro dos cinco tentos assinalados pelo Cruzeiro: marcou três e deu uma assistência. Na temporada, mesmo tendo ficado na reserva em diversos momentos, Wanchope já balançou as redes 13 vezes em partidas oficiais e lidera a artilharia do elenco celeste.


Os bons números em 2017 fizeram com que o camisa 9 se tornasse o principal goleador da era Mano Menezes, iniciada em 2015 e retomada em julho último: já são 24 gols sob o comando do gaúcho. Desde a estreia, no mesmo mês, Ábila balançou as redes 25 vezes e deu três assistências em 55 jogos oficiais - começou no banco em 23 deles - com a camisa celeste. Nessas apresentações, o Cruzeiro anotou 75 tentos. Com isso, o argentino teve participação direta em 37,3%.

Ábila: participação decisiva no Cruzeiro
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Nesta quarta-feira, Ábila voltará a enfrentar sua maior vítima no futebol nacional. Dos 25 gols pela Raposa, três foram marcados ante o Corinthians, em 2016: um no Campeonato Brasileiro, dois nas quartas de final da Copa do Brasil, quando o time mineiro eliminou o paulista. O ranking do Cruzeiro, que considera o gol marcado no amistoso contra o Brasília, na pré-temporada, aponta o argentino como quinto maior artilheiro estrangeiro da história, com 26 gols. Marcelo Moreno, com 45, lidera.

Ramón Ábila - estatísticas em 2016:

Número de jogos: 28 partidas oficiais - titular em 20
Gols marcados: 12 / Assistências: duas
Gols do Cruzeiro: 39 - participação em 35,9%

Ramón Ábila - estatísticas em 2017:

Número de jogos: 27 partidas oficiais - titular em 12
Gols marcados: 13 / Assistências: uma
Gols do Cruzeiro: 36 - participação em 38,9%

13/06/2017


No ano, time tem somente 37,5% de aproveitamento fora; melhor
visitante da Série A foi campeão em 71% e nunca ficou fora do G4

Vinícius Dias

A derrota por 2 a 0 diante do Vitória, no último domingo, no Barradão, aumentou o jejum do Atlético como visitante neste Campeonato Brasileiro. O mau início fora de casa, aliado a tropeços na Arena Independência, ligou o sinal de alerta no alvinegro. Desde a adoção dos pontos corridos, em 2003, a equipe que teve o melhor aproveitamento como visitante foi campeã em dez das 14 edições. Após seis rodadas, o Galo está em 16º lugar, com seis pontos, apenas dois somados longe de Belo Horizonte.


Na última sexta-feira, Roger Machado já havia ressaltado a importância de alcançar um bom resultado em Salvador. "Cada partida tem sua dificuldade, pelas motivações do adversário e também pelas nossas necessidades, ou seja, recuperar os pontos que deixamos, principalmente dentro de casa, nos jogos contra Fluminense e Ponte Preta", analisou o comandante. Antes do confronto contra os baianos, o Atlético tinha empatado com Flamengo e Palmeiras como visitante na competição.

Alvinegro foi derrotado pelo Vitória
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Mencionados pelo treinador, os tropeços diante de Fluminense e Ponte Preta foram, justamente, os dois primeiros em casa nesta temporada. O Atlético somou 89,6% dos pontos disputados como mandante, com 14 vitórias em 16 partidas. Embora tenha sido campeão mineiro e realizado a melhor campanha da fase de grupos da Libertadores, os números fora de casa destoam: 37,5% de aproveitamento, com seis derrotas, seis empates e apenas quatro triunfos, o último deles há 41 dias.

Melhor visitante por edição - via FutDados:

2003 - Cruzeiro - 63,8% de aproveitamento / campeão
2004 - Palmeiras - 55,1% de aproveitamento / 4º lugar
2005 - Corinthians - 61,9% de aproveitamento / campeão
2006 - Internacional - 57,9% de aproveitamento / vice-campeão
2007 - São Paulo - 61,4% de aproveitamento / campeão
2008 - São Paulo - 50,9% de aproveitamento / campeão
2009 - Cruzeiro - 56,1% de aproveitamento / 4º lugar
2010 - Cruzeiro - 54,4% de aproveitamento / vice-campeão
2011 - Corinthians - 52,6% de aproveitamento / campeão
2012 - Fluminense - 68,4% de aproveitamento / campeão
2013 - Cruzeiro - 54,4% de aproveitamento / campeão
2014 - Cruzeiro - 57,9% de aproveitamento / campeão
2015 - Corinhtians - 54,4% de aproveitamento / campeão
2016 - Palmeiras - 59,6% de aproveitamento / campeão

12/06/2017

Eleições aquecem bastidores do Cruzeiro

Vinícius Dias

No início do ano, Zezé Perrella e Bruno Vicintin eram apontados no Cruzeiro como prováveis protagonistas da sucessão presidencial. A cerca de quatro meses das eleições, no entanto, o primeiro já deixou a disputa, enquanto a candidatura do segundo esbarra nos requisitos. A essa altura, embora não esteja descartada, uma mudança no estatuto é considerada improvável. Nos bastidores, a expectativa era de que Gilvan de Pinho Tavares convocasse assembleia geral até abril, o que não se confirmou.


Entre os interlocutores da situação consultados pelo Blog Toque Di Letra, houve apenas um discurso divergente, apostando que o fato de Zezé Perrella ter desistido da disputa possa reaquecer o debate - o senador havia se posicionado de forma contrária à mudança. Os demais ratificaram o otimismo em relação ao pleito, mas acreditando na manutenção dos requisitos. Diante desse quadro, uma definição rápida da chapa articulada por Gilvan e José Francisco Lemos, primeiro vice, é tida como fundamental.

Gilvan e ex-presidentes lideram articulações
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

A chapa Tríplice Coroa, criada pelos irmãos Perrella, será encabeçada por Sérgio Rodrigues. O ex-superintendente de futebol, que marcou presença em alguns dos encontros de Zezé com membros de diferentes alas do Conselho no mês passado, terá agenda própria a partir desta semana. Conforme a reportagem apurou, o diálogo com os conselheiros e a busca de apoios serão intermediados por Alvimar, com quem o candidato se reuniu na sexta-feira, e José Maria Fialho, vice-presidente no triênio 2012/2014.

César Masci vislumbra coalizão

Embora de forma mais discreta, o atual segundo vice Márcio Rodrigues e César Masci, que esteve à frente do Cruzeiro entre 1991 e 1994, também têm se movimentado. Defensor de uma profunda revisão do estatuto celeste, Masci segue na disputa, a princípio, mas vislumbra a possibilidade de o presidente Gilvan liderar uma coalizão em prol de uma candidatura única. O ítalo-brasileiro tem sinalizado que, nesse cenário, abriria mão da cabeça de chapa, podendo ocupar uma das vice-presidências.