31/08/2013

Soy loco por ti, América!

Tiago de Melo

Após 62 partidas disputadas, finalmente a Sul-Americana começa a fazer sentido. Sobraram 16 equipes, que representam seis países do continente (Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Colômbia e Equador). Nada de equipes irrelevantes ou regulamentos incompreensíveis. Apenas 16 equipes se enfrentando segundo as conhecidas regras do mata-mata.

Na luta pela taça, três países se destacam. O Brasil mandou equipes que não se qualificaram para a Libertadores nem para as fases finais da Copa do Brasil, mas tem a grande vantagem de ter seus representantes já no auge da temporada, ao contrário dos países vizinhos. A Argentina, que mandou algumas de suas melhores equipes. E a Colômbia, que teve a impressionante performance de classificar seus quatro representantes para as oitavas de final. 

São Paulo volta a encarar chilenos
(Créditos: São Paulo F.C./Divulgação)

Juntos, os três países respondem por 12 dos 16 clubes que ainda sobrevivem na competição. E as equipes brasileiras não terão vida fácil no torneio. O São Paulo enfrentará a Universidad Catolica, líder da liga local, onde se mantém invicta, tendo marcado 12 gols em cinco partidas. Eliminou o Emelec marcando nada menos do que sete gols na somatória dos confrontos, tendo vencido ambos.

Nordestinos vivos...

Situações igualmente difíceis vivem os representantes nordestinos que sobreviveram. O Sport enfrentará um Libertad renovado, que prioriza o torneio e que fez contratações importantes, como Bareiro, que foi titular na campanha que levou o Olimpia ao vice-campeonato da Libertadores. Já o Bahia terá pela frente o duro Nacional, que está a apenas quatro pontos do Santa Fé, líder do colombiano, mas com três jogos a menos.

Sport eliminou o arquirrival Náutico
(Créditos: Wágner Damásio/Site Oficial)

Coritiba e Ponte Preta tampouco terão vida fácil. Ambos enfrentarão equipes colombianas com potencial para trazer dificuldades. O Coxa terá pela frente o Itagui, que não tem jogadores de alto nível, mas que possui um time organizado e difícil de ser batido. A Macaca irá para os 2.600 metros de altitude de Pasto, onde uma equipe bem organizada, e comandada pelo talentoso e jovem Villota, deverá oferecer resistência ao centenário clube campineiro.

Hermanos favoritos

Os confrontos sem brasileiros envolvem argentinos, que tendem a ser favoritos. O Vélez é favorito contra os colombianos do La Equidad, o mesmo valendo para o vencedor de River Plate x San Lorenzo contra a LDU de Loja. São encontros indefinidos, mas com um favorito indiscutível.

A grande incógnita é o confronto entre Lanús e Universidad de Chile. Teoricamente os granates deveriam ser os favoritos, por seu elenco e treinador, mas a equipe do Sul de Buenos Aires ainda não se acertou, de modo que é mais um confronto aberto na Sul-Americana. Tanto mais que La U está a apenas três pontos do líder da liga local.

30/08/2013

As lições alvinegras

Vinícius Dias

Derrota como visitante e a necessidade de reverter a vantagem em Belo Horizonte, com Ronaldinho Gaúcho prometendo 'dar a vida' em campo. O cenário, tão comum para o atleticano na Copa Libertadores, voltou a se repetir nesta quarta-feira pela Copa do Brasil, a competição definida por Cuca como prioridade do clube mineiro neste semestre. Mais uma vez, o torcedor acreditou!

Com Luan escalado como volante, o técnico atleticano deu o tom de um time ofensivo. O Botafogo, sem o veloz Vitinho, negociado com o futebol europeu, pouco incomodou na primeira etapa. A missão do Galo pareceu ter ficado mais fácil quando Fernandinho apareceu pela ponta esquerda. Depois de percorrer toda a área, a bola encontrou o camisa 2 Marcos Rocha: 1 a 0.

Fernandinho foi destaque no Horto
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Vieram os 45 minutos finais e com eles, novo ímpeto alvinegro. Contando com a força da torcida, o time da casa partiu em busca do segundo gol. Do outro lado, o Botafogo estava mais preocupado com a posse de bola. Após ótima jogada, Rafael Marques empatou aos 5 minutos. De novo, o Atlético precisava de dois gols. De novo, Fernandinho apareceu bem: 2 a 1, aos 11 minutos.

2 a 2, com lições...

Mesmo em desvantagem no jogo, o time carioca manteve a organização. Não tardaram cinco minutos para que, novamente, balançasse as redes. Seedorf, que teve atuação mediana, cobrou falta, a defesa do alvinegro falhou, e a bola sobrou para o zagueiro Dória marcar. A partida terminou em 2 a 2. Com o Botafogo nas quartas, o Atlético eliminado - e deixando importantes lições.

Ao campeão das Américas, resta a lição de que ser competitivo também longe de casa ainda é um desafio a ser superado, em especial, quando a sorte não aparece. Para o Botafogo, a impressão de que nem a agitação dos bastidores, nem um grupo cada vez mais reduzido mancham o ótimo trabalho de Oswaldo de Oliveira. Que se reinventa para formatar um time com alma de campeão.

29/08/2013

Agora, foco no Brasileiro

Douglas Zimmer

Golaço, resultado da primeira partida e eliminação do rival à parte, o Cruzeiro precisava entrar em campo no Maracanã e fazer sua parte. Começou o jogo se classificando e não poderia entrar em correria, se desesperar nem se jogar para cima como um bando de loucos. Pois acabou que o Cruzeiro não fez nada. Nem o mínimo!

O jogo começou muito nervoso com os dois times tentando marcar sob pressão e explorar as falhas das defesas adversárias. O Flamengo chegava de maneira desorganizada, sempre mais na vontade do que na técnica. O Cruzeiro procurava Borges, que jogava isolado, e se defendia como podia. Fábio não foi exigido, mas a equipe rubro-negra rondou a meta celeste perigosamente por duas ou três vezes sem conseguir a finalização. 

Na 1ª etapa, Borges atuou isolado
(Créditos: Cruzeiro E.C./Divulgação)

Na melhor chance do primeiro tempo, Willian desviou um chute cruzado, e Felipe fez uma defesa estranha, quase jogando a bola pra dentro do próprio gol. Fora isso, jogadas de costas para o gol e poucos arremates perigosos. Um primeiro tempo que já demonstrava a insistência cruzeirense em não jogar. A bola ficava ou com o Flamengo, ou voando depois de um balão executado pelos mineiros.

Na etapa final

O segundo tempo veio e confirmou que os celestes haviam abdicado de jogar. Sem criatividade. Sem velocidade. Sem explosão. O Flamengo tomou conta do meio campo e passou a mandar ainda mais no jogo. Ainda faltava jeito, mas a pressão rubro-negra já dava sinais de que poderia ser fatal a qualquer momento. As bolas chegavam cada vez mais frequentemente e não fosse a total incapacidade de Carlos Eduardo (que nem parece o mesmo que jogou no Grêmio), talvez o placar já teria sofrido alterações mais cedo.

Entretanto, apesar de todo o cenário desfavorável, foi o Cruzeiro que chegou com mais perigo por duas vezes. Primeiro, em gol bem anulado, quando Vinícius Araújo estava projetado à frente da linha da bola depois de cruzamento rasante. Em seguida, em contra ataque veloz, o mesmo Vinícius Araújo recebeu uma bola em que ficou cara a cara com Felipe, driblou o arqueiro carioca, mas adiantou muito a bola, que acabou saindo pela linha de fundo antes de conseguir concluir a jogada. Um desperdício que custou caro.

Éverton Ribeiro foi destaque azul
(Créditos: Cruzeiro E.C./Divulgação)

Aos 42 minutos do segundo tempo, da maneira mais cruel possível, o Flamengo, na milésima jogada pelo lado esquerdo da defesa do Cruzeiro conseguiu encontrar Elias, o jogador mais lúcido da partida, que bateu de chapa e não deu chances para Fábio. Bola na rede, e 1x0 no placar. Três ou quatro minutos para tentar achar um gol que, logicamente, não iria acontecer.

O castigo azul...

Cruzeiro eliminado. Foco total no Brasileiro e a sensação absurda de que a classificação era tão tranquila que parece mentira. Foi uma eliminação precoce, de um elenco que tem potencial para alçar voos muito maiores que uma oitava de final.

Toma jeito, Cruzeiro!

28/08/2013

Favorito... e com atenção!

Alexandre Oliveira

Talvez o maior adversário do Cruzeiro nesta noite não seja a equipe do Flamengo. Nem seja a inteligência de Mano para montar uma equipe ou a presença (ou não) do meia Elias. O clube celeste terá dois antagonistas "de peso" em sua busca por uma vaga nas quartas de final da Copa do Brasil.

O peso da camisa flamenguista é inegável. Dono de dois títulos da Copa (1990 e 2006), o Flamengo pode sim fazer frente à Raposa. Porém, está longe de ser uma equipe para ser temida pelo adversário. Fato é, que o Cruzeiro além de ter mais tradição na competição, também tem um time mais bem montado, oferecendo mais perigo quando ataca, e defendendo com segurança.

Favorito, Cruzeiro enfrenta o Fla
(Créditos: Washington Alves/Vipcomm)

Os jogadores do Cruzeiro precisam ficar atentos à pressão no Maracanã. Neste ano, a equipe mineira foi derrotada no 'maior palco' brasileiro pelo Fluminense, que não atravessa uma boa fase. Naquela noite, o estádio estava vazio, e apesar de ter feito um ótimo primeiro tempo, o Cruzeiro saiu de campo com a derrota. Para o jogo desta quarta, foram vendidos mais de 40 mil ingressos. Nesta ocasião, surge o trabalho psicológico do técnico celeste.

Sem chance de erro...

Quem não se lembra da partida do Cruzeiro contra o Once Caldas, pelas oitavas da Libertadores em 2011? A partida estava sob controle, quando meia Roger foi expulso, deixando um vazio no meio-campo, e perdendo o poder ofensivo. Por esse motivo, jogadores como Bruno Rodrigo, Nilton e outros que chegam com mais força na marcação, precisam ter atenção. Um segundo pode ser fatal.

Posso dizer que, onze contra onze, o Cruzeiro é favorito à classificação. Mas, depois que o juiz apitar e a bola rolar, o favoritismo 'cai por terra'. Como dizem, "o jogo é jogado".

De novo, eu acredito

Gilvan Meireles

A volta de Pierre, o adeus de Vitinho. Defesa reforçada para um ataque recém-desfalcado são as melhores notícias possíveis. Em um jogo difícil, estes fatores podem representar muito. O Atlético precisa de gols, vai ao ataque e vai deixar espaços. Vitinho, jovem e veloz, era fundamental no contragolpe do Botafogo. Pierre, sempre um zagueiro a mais, um 'cão de guarda' da defesa, volta para dar gás ao time. É disso que precisaremos nesta noite.

Os gols podem sair a qualquer hora. Mas sem dúvidas, quanto mais cedo melhor. Vide o duelo contra o Newell's, quando aos três minutos de jogo Bernard já marcava o primeiro gol do Atlético. Aquele tento acalmou os nervos, e deu mais confiança para o restante da partida. Quanto mais o Atlético tiver domínio nos ataques, na recuperação e na posse de bola, maior a chance de fazer um gol. Ou seja, é hora de o torcedor empurrar seus ídolos!

Mais uma vez, o alvinegro acredita
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Na arquibancada podemos fazer a diferença. Impor o nosso grito, fazer o caldeirão, vaiar o adversário, cantar, vibrar... e tremer. Este é o dever do atleticano que quer triunfar hoje. O Atlético, unido a sua torcida, faz as partidas ficarem mais fáceis. É mais fácil de vencer o bloqueio já abalado psicologicamente. Isso é fato: "caiu no Horto, tá morto", amigo! Não tem para ninguém.

Com fome de bola...

Desta vez não há salto alto, como diante do Tijuana. É um Atlético com 'fome de goleada'. Como o do jogo ante o São Paulo, quem sabe. Ou um drama como as pelejas contra o Newell's e Olimpia. No entanto, a única semelhança que quero encontrar é o avanço à próxima fase. Quem sabe teremos um clássico diante do Cruzeiro nas quartas de final. Enquanto isso, devemos gritar outra vez.

De novo, eu acredito!

27/08/2013

Santo de casa... faz milagre!

Alisson Millo

Jogar em casa é, quase sempre, uma vantagem. Apoio dos torcedores, o conhecimento do campo... tudo favorece ao time mandante. Mas alguns times levam o fator casa a um ponto quase extremo. Os clubes cariocas no Maracanã, o Corinthians no Pacaembu, e o Cruzeiro, no Mineirão, são três bons exemplos. No entanto, eles seguem longe de alcançar o maior destaque.

Em 2013, três clubes entraram na lista de maior número de partidas sem derrotas em casa. O destaque, claro, vai para o Atlético. O Galo estava invicto desde 2011, até o revés para o xará paranaense. Ao todo, foram 54 partidas. Recorde nacional, somando a Arena do Jacaré, o Mineirão e, em especial, o Independência. Qual alvinegro não bradou "caiu no Horto, tá morto"? Como negar a influência do Horto na Libertadores? E no vice-brasileiro em 2012?

Galo: recorde nacional, de 54 jogos
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

O recorde pertencia ao Grêmio, com 49 jogos entre 2008 e 2010, mas os gaúchos também foram batidos pelo Juventude/RS. Na quarta divisão, o time de Caxias do Sul acumulou incríveis 52 partidas sem derrotas desde 2011. Na última semana, o alviverde foi derrotado pelo Passo Fundo/RS. Ainda assim, segue perto de voltar à Série C. Por pouco, quase sem ser notado, o "Juve" não superou o Atlético, colocando seu nome na história do futebol brasileiro.

À moda gaúcha...

O destaque da lista é o futebol gaúcho. Grêmio, Inter e Juventude estão entre os cinco primeiros. Enquanto nenhum clube do "eixo Rio-São Paulo" aparece. Prova da força e da imprevisibilidade do futebol. Que permite a um time de pouca expressão ser notícia por alcançar feitos próximos aos dos mais badalados.

As cinco maiores:

1º - Atlético - 54 jogos (2011-2013)
2º - Juventude - 52 jogos (2011-2013)
3º - Goiás - 49 jogos (2011-2013)
3º - Grêmio - 49 jogos (2008-2010)
4º - Inter/RS - 46 jogos (1973-1975)
5º - Santa Cruz - 45 jogos (2004-2006)

26/08/2013

Um olho no Fla... outro no Bota!

Depois das vitórias pelo Campeonato Brasileiro - diante de Ponte Preta e Portuguesa, respectivamente - Cruzeiro e Atlético voltam a campo nesta quarta-feira, pela Copa do Brasil, com cariocas pela frente. Em busca do inédito título, o time alvinegro enfrenta o Botafogo. Depois de perder no Rio de Janeiro, por 4 a 2, o Atlético precisa derrotar o adversário por, no mínimo, dois gols de vantagem. Mais uma vez, o torcedor do Galo afirma 'eu acredito'.

Do lado celeste, a tarefa é mais simples. Depois da vitória por 2 a 1, em Minas, com ótima atuação e golaço do meia-atacante Éverton Ribeiro, a Raposa vai ao Maracanã precisando apenas do empate para confirmar a vaga nas quartas de final. Tetracampeão do torneio, o Cruzeiro sonha com a quinta conquista e com a vaga na Copa Libertadores de 2014. No fim de semana, a dupla de Belo Horizonte volta a campo pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Do inferno... ao céu!

Na quarta-feira, uma 'falha' individual terminou em gol do Flamengo... No sábado, o zagueiro Dedé deu a volta por cima e, retribuindo a confiança dos torcedores, marcou o primeiro gol da vitória celeste diante da Ponte Preta. "Todos gritaram o meu nome depois do gol. Agradeço muito a esta torcida", assinalou o camisa 26. "O grupo é muito importante para o meu crescimento", acrescentou o zagueiro, que faz, na quarta, a 20ª partida com a camisa azul.

Com os pés de Jesús

Recém-contratado, o meia-atacante Dátolo foi decisivo pára a vitória do Galo. Aos 43 minutos da segunda etapa, o argentino assinalou o gol que desempatou a partida diante da Portuguesa, na Arena Independência. "A bola entrou, graças a Deus. Todos estão de parabéns", pontuou o meia. Na quarta, o ex-jogador do Inter será desfalque. "Não vou estar, mas os meus companheiros têm que deixar a vida", disse Jesús Dátolo, 'salvador' do domingo alvinegro.

Galo e Coelho vivos

Forte e vingador! O time júnior do Atlético bateu o Cruzeiro, por 3 a 1, e garantiu vaga nas quartas de final da Taça BH. O jogo foi marcado por falhas do sistema defensivo da Raposa, que havia feito a terceira melhor campanhas da primeira fase, enquanto o Galo se classificou nos minutos finais, após empate com o Araxá. O outro mineiro na disputa, o América derrotou o Corinthians por 1 a 0. Na terça, o Coelho encara o Vasco, em Ouro Preto.

24/08/2013

Sonho antigo e distante!

Vinícius Dias

Sonho antigo do presidente atleticano, Alexandre Kalil, o volante Wesley deve mesmo seguir no Palmeiras. A diretoria do time alviverde recusou a proposta do Atlético, que deseja contar com o atleta até dezembro, por empréstimo. A princípio, a preferência palestrina é por uma transferência em definitivo.

Segundo o Blog Toque Di Letra apurou, o meio-campista teria recebido sondagens de dois times europeus. Diante disso, o Palmeiras aguardaria uma oferta até dia 31, quando se encerra a janela de transferências. O empresário do atleta, Hugo Garcia, se negou a comentar. "Não vou fazer nenhum comentário", disse.

Nova tentativa...

Wesley chegou ao Palestra Itália em março de 2012. Para contratá-lo, o Verdão pagou € 6 milhões ao Werder Bremen, da Alemanha, superando o próprio Atlético - que ofereceu € 4,5 milhões. Em 43 duelos pelo Verdão, ele anotou três gols.

23/08/2013


Com três títulos no ano, zagueiro do Atlético afirma que
vive melhor momento da carreira e planeja seguir em BH

Vinícius Dias

Na histórica noite de 24 de julho, a América estava, simbolicamente, nas mãos de Réver. O maior título da história alvinegra, time que defende há três anos, coroou também o melhor momento da carreira de seu capitão. "Este ano, conquistei tudo que disputei", comenta. Além do torneio sul-americano, o zagueiro comemorou os títulos do Campeonato Mineiro e da Copa das Confederações.

Réver: capitão e símbolo do Galo
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Réver é só elogios às condições de trabalho oferecidas no Atlético, onde ostenta posto de ídolo. "Temos também uma excelente estrutura fora de campo e isso contribui muito", pontua. Sonhando com a Copa de 2014 e em sintonia com o torcedor atleticano, ele espera renovar o vínculo, que expira em julho de 2014. "Minha ideia é ficar no Atlético durante muitos anos", acrescenta.

Você chegou ao Atlético em 2010, no começo da 'gestão Kalil'. Em 2010 e 2011, os resultados ficaram aquém das expectativas - e o time lutou contra o rebaixamento. Em 2012, a conquista 'bateu na trave'. Qual foi a principal mudança, para que o clube chegasse ao título neste ano?

Acho que foi um conjunto. A equipe se reforçou, ganhou em qualidade. Temos também uma excelente estrutura fora de campo e isso contribui muito. Futebol é difícil de explicar, às vezes as coisas não saem como esperamos, mas o mais importante é que estamos bem e conseguimos conquistar um importante título, que foi a Libertadores.

Em maio, você se tornou, ao lado do Luizinho, que atuou no clube mineiro entre 78 e 89, o defensor com o maior número de gols da história atleticana. Apesar de ter sido premiado nos últimos cinco anos, destacando-se pela regularidade, você crê que vive, hoje, o melhor momento da carreira?

Sim. Graças a Deus estou vivendo uma grande fase, no Atlético e na seleção. Este ano conquistei tudo que disputei (Campeonato Mineiro, Copa Libertadores e Copa das Confederações).

Entre janeiro e julho de 2010, você teve uma passagem de pouco brilho pela Europa. Na volta ao Brasil, no Atlético, você recobrou o posto de ídolo, que tinha no Grêmio. Ao fim de seu atual contrato, em julho de 2014, você pensa em retornar à Europa? Ou seguir no Brasil é prioridade?

Não tenho mais a intenção de retornar à Europa. Minha ideia é ficar no Atlético durante muitos anos. Estou muito bem no clube, eu e minha família nos adaptamos muito bem em Belo Horizonte e nossa ideia é ficar aqui durante um bom tempo.

Principal revelação do Atlético nos últimos anos, o meia-atacante Bernard foi negociado com o Shakthar Donetsk, por R$ 77 milhões. Por tradição, a Ucrânia não é 'ponte' para os principais mercados. Você acredita que a pouca exposição pode prejudicar o jogador, a um ano da Copa?

A Ucrânia não é tão vista como outros grandes centros na Europa, embora o Shakhtar seja um clube de expressão hoje e que negocia muitos jogadores para os grandes clubes. A proposta foi muito boa para o jogador e para o Atlético, era difícil recusar. Sobre sua convocação, os treinadores têm acompanhado os jogos na Ucrânia, tanto que outros jogadores que jogavam lá foram convocados recentemente. Acho que o fato de jogar lá não vai atrapalhá-lo e ele vai estar na Copa do Mundo de 2014.

Entre maio de 2012 e julho de 2013, o Atlético manteve uma série de 38 duelos sem derrota na Arena Independência. Até que ponto essa marca e a união com o torcedor foram determinantes para a conquista da Libertadores?

Com certeza isso foi determinante. A sintonia que temos com a torcida é fora do comum e nos incentiva muito. O apoio do torcedor durante os 90 minutos nos ajudava a conseguir as vitórias durante a Libertadores. Infelizmente perdemos a invencibilidade, mas esta ligação entre torcida e time pode nos levar ainda mais longe.

Aos 48' do segundo tempo, nas quartas de final, pênalti para o Tijuana. Com o pé esquerdo, o goleiro Victor impediu a eliminação do Galo, transformando o medo em euforia, na Arena Independência. Você concorda que aquele foi o momento mais marcante da trajetória rumo ao título?

Acredito que sim. Foi um lance de muita expectativa e o Victor, com muita competência, nos ajudou a classificar. Foram alguns momentos muito marcantes na Libertadores, mas este eu acredito que seja o que vai entrar para a história do clube.

22/08/2013

Pra cima deles, Galo!

Gilvan Meireles

Se priorizar a Copa do Brasil parecia fácil, o Atlético terá que redobrar a atenção logo na primeira partida. Diante do Botafogo, no Rio, às 22h, o alvinegro precisa garantir um bom resultado para a partida de volta. Pelo retrospecto recente em confrontos com o Botafogo dá para se animar. Três vitórias (duas em casa e uma fora), e ainda um empate no Horto. O fato é que a equipe do Galo, comandada por Cuca nunca perdeu para o Botafogo.

Mas não é tão simples. O retrospecto é bom, mostra que o time é capaz de vencer mais uma vez. No entanto, ele não pode nem deve entrar em campo. O time sabe que o desafio de encarar o bom Botafogo é grande. Eles melhoraram o repertório no ataque, com a velocidade de Vitinho, as jogadas dos meias Lodeiro e Seedorf e, claro, os gols do camisa 20 Rafael Marques.

Atlético, de R10, encara o Botafogo
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

No Galo, o repertório ofensivo terá desfalque. O belo quarteto de ataque, que já deixa saudades, agora se exibe em uma linha de menos técnica. Bernard, tipo raro de jogador, e Tardelli davam agilidade, drible, passes e gols para o time. Hoje o que se vê é muita vontade, sem entrosamento. Ainda não está definida a titularidade. Ora Luan, outrora Fernandinho ou Dátolo ocupam os lados do campo.

De novo, eu acredito!

Boa notícia é a volta de Guilherme, que deve dar mais opção no meio e à frente. Sobretudo, o time precisa de gols para fazer um bom resultado. O Botafogo ainda não foi derrotado em casa no Brasileiro, mas vem de dois empates na competição. Um empate, pela Copa do Brasil, pode ser muito bom. Mas, por que não pensar que podemos derrotá-los lá? Só teremos a vitória, se acreditarmos.

Boa sorte, Galo!
Vai pra cima deles!

21/08/2013

Meu Brasil brasileiro...

Alexandre Oliveira

Sobraram apenas 16 times na Copa do Brasil, e a competição chega às oitavas de final. Além dos times classificados da terceira fase, a Copa do Brasil recebe agora os cinco clubes que disputaram a Libertadores, à exceção do São Paulo, que disputa a Copa Sul-Americana, por ter vencido a edição de 2012.

Atlético e Cruzeiro buscam a vaga nas quartas de final em partidas que podem ser consideradas as mais equilibradas desta fase. O Atlético encara o Botafogo, algoz do alvinegro mineiro em edições anteriores da Copa do Brasil. Já o Cruzeiro enfrenta o Flamengo, que foi duas vezes campeão, e vice na conquista do clube celeste em 2003.

Nacional/AM x Vasco

O primeiro jogo das oitavas serve de alerta para os outros clubes que vão enfrentar um time considerado pequeno. O Vasco encarou o Nacional-AM na noite de terça-feira, e teve muitas dificuldades para vencer por 2 a 0. O goleiro Diogo Silva trabalhou bastante, e segurou a vitória do time cruz-maltino, que quase foi surpreendido pela equipe amazonense no estádio do Sesi. Agora, o Vasco decide a classificação em São Januário.

Santos x Grêmio

Em momentos diferentes no Campeonato Brasileiro, Santos e Grêmio fazem um duelo interessante nas oitavas. Para o Grêmio, a classificação pode representar o impacto positivo da chegada do técnico Renato Gaúcho. O comandante vem fazendo um bom trabalho, e deu ânimo novo à equipe tricolor, que está no G4 do Brasileiro. O Santos, por sua vez, vê na Copa do Brasil a chance de fazer as pazes com o torcedor. Depois da goleada sofrida diante do Barcelona, por 8 a 0, o time vem mal no Brasileirão e levanta desconfiança do torcedor.

Palmeiras x Atlético/PR

Palmeiras e Atlético-PR fazem um confronto um tanto quanto interessante pelo fato de que o time mais tradicional está na Série B. O Verdão já venceu a competição duas vezes, mas não é o favorito absoluto por uma vaga nas quartas. O Atlético-PR atravessa um bom momento no Brasileirão desde a volta do meia Paulo Baier ao time titular, e já encostou no G4, disputando uma vaga na Libertadores.

Fluminense x Goiás

Pode-se dizer que esse é o jogo favorável à zebra. O Goiás passa por um bom momento no Campeonato Brasileiro e, comandando pelo atacante Walter, vem surpreendendo os adversários nesse primeiro turno do Brasileirão. O Fluminense, por sua vez, além de não atravessar um bom momento na temporada, devido também a má fase do artilheiro Fred no tricolor carioca, não tem dado sorte em competições mata-mata nos últimos anos.

Corinthians x Luverdense

Em reabilitação no Campeonato Brasileiro, o Corinthians deve ter entre os grandes a tarefa mais fácil das oitavas de final da Copa do Brasil. O Timão encara o Luverdense, do Mato Grosso, em busca de um lugar nas quartas de final. O time mato-grossense eliminou o Bahia da competição e, como joga dentro de casa no primeiro jogo, sonha com a chance de surpreender o time paulista no estádio Passo das Emas.

Internacional x Salgueiro

Nem Sport, nem Náutico, nem Santa Cruz. O representante de Pernambuco nas oitavas da Copa do Brasil é o Salgueiro. Time que é a grande surpresa da competição, eliminando Criciúma, Vitória e Boa Esporte. O Inter, por sua vez, eliminou outro mineiro: o América. O colorado, cheio de desfalques, faz uma campanha mediana no Campeonato Brasileiro, e a equipe vê na Copa do Brasil uma oportunidade de ganhar a confiança da torcida.

18/08/2013

Cuca: um campeão de fé

Alisson Millo

Alexi Stival: o mais novo grande técnico do futebol brasileiro. Segundo o próprio, o 'rótulo' de grande deve-se unicamente a Deus. Não somente o fato de ser, hoje, um dos maiores. Tudo na vida de Cuca deve-se a Ele. Para o atleticano, o ato mais importante feito por Deus para o técnico e também para a equipe foi o título de campeão da Copa Libertadores, em julho último.

Por muito tempo, Cuca foi alvo de piadas, em especial pela religiosidade. Chamavam-no de azarado, pé frio, diziam que ele rezava errado... Enfim, ninguém acreditava que ele daria sorte. Mas ele deu, e como deu. Sorte de campeão da América!

Cuca: sorte e trabalho, lado a lado
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Muitos dizem que a sorte é aliada dos competentes. Então se pode dizer que ele é competentíssimo. Afinal, não é todo time que tem um santo em campo. Foi Deus quem deixou o pé de Victor no pênalti histórico frente ao Tijuana. O homem 'lá de cima', também colocou na trave, de forma mais caprichosa impossível, o pênalti batido pelo argentino Matías Gimenez, do Olimpia.

De joelhos, às lágrimas!

Como um bom homem de fé que Cuca é, ele tratou de rezar muito, para agradecer. Dentro de campo, durante a disputa de pênaltis, lá estava o Alexi, de joelhos à beira do gramado, com sua camisa de Nossa Senhora. Ao final, ele desabou em lágrimas, e agradeceu a Deus por interceder por ele mais uma vez.

De fé se faz um técnico campeão
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Cuca fez pelo Galo algo que ninguém jamais havia feito: dar um título da Libertadores. Até mesmo o mais ateu dos atleticanos rezou (e reza até hoje) pelo treinador. Alexi Stival, Cuca, dono da América, o treinador do Galo, homem de fé. O campeão de fé, que ora e é citado nas orações de toda a massa.

17/08/2013

Clássico por Rodriguinho

Vinícius Dias

Destaque do América no Campeonato Brasileiro da Série B, com oito gols em 12 partidas, o camisa 10 Rodriguinho é motivo de um 'clássico' entre Cruzeiro e Atlético nos bastidores. Depois de o clube celeste consultar a situação do armador, foi a vez de o rival alvinegro tentar a contração de Rodriguinho, nesta semana. O jogador, no entanto, deve seguir no clube alviverde.

Conforme apurou o Blog Toque Di Letra, em parceria com um grupo de investidores, o Coelho deve assegurar a permanência do meia-atacante, até o fim do ano. O Atlético tem a permanência do meia Nikão, que está emprestado ao América até novembro, como seu trunfo em uma possível negociação.

Números no Coelho

Neste sábado, contra o América/RN, o armador vai disputar a partida de número 100 pelo time alviverde. Desde 2011, em 99 jogos, ele anotou 24 gols. Rodriguinho tem contrato até maio de 2015. O clube detém 60% de seus direitos econômicos.

Em busca da América

Tiago de Melo

Nos próximos dias começará a participação dos nossos clubes na edição 2013 da Copa Sul-Americana. Um torneio em relação ao qual os brasileiros não sabem muito bem o que esperar. Se a Libertadores, valorizadíssima e repleta de clubes tradicionais, não é bem compreendida no Brasil, o que dirá a chamada "Sula", cheia de clubes desconhecidos por aqui?

Ao menos neste caso o Brasil não está sozinho. Trata-se de um torneio que ainda não "pegou". As federações utilizam critérios frequentemente tortuosos para definir seus representantes, e a própria Conmebol não ajuda, ao permitir a participação de clubes que disputaram a Libertadores, descaracterizando a competição.

Tricolor festejou o título em 2012
(Créditos: Luiz Pires/Vipcomm)

Na atual edição em particular, o Brasil entra enfraquecido. À exceção do São Paulo, só teremos equipes que não se qualificaram nem para a Libertadores, nem para as fases agudas da Copa do Brasil. Por seu lado, a Argentina manda equipes fortes, que disputam o título da liga local, de modo que o país se posiciona como favorito a ter o campeão do torneio.

Brasil x Argentina...

Há outra peculiaridade. Ansiosa por ver uma decisão entre brazucas e argentos, a Conmebol colocou todos os argentinos na mesma chave, o que equivale a dizer que uma decisão entre dois argentinos é impossível. O mesmo vale para o Brasil: exceto Ponte Preta e Criciúma, todos estão do mesmo lado do chaveamento.

Um semifinalista sairá do confronto entre os vencedores de São Paulo x Emelec ou Universidad Catolica e Portuguesa ou Bahia x Guarani/PAR ou Nacional/COL. É uma chave dura para os brasileiros. O Guaraní perdeu as três partidas que disputou na liga paraguaia, mas Nacional, Catolica e Emelec são líderes nos torneios de seus países, se pefilando como adversários complicados.

Coxa, de Alex, tenta título inédito
(Créditos: Coritiba F.C./Divulgação)

O segundo semifinalista (que enfrenta o primeiro) sairá dos confrontos: Sport ou Náutico x Mineiros ou Libertad e Vitória ou Coritiba x River Plate (URU) ou Itagui. É uma chave favorável aos brasileiros. O rival mais difícil é o Libertad, forte equipe que lidera o paraguaio. Itagui também merece cuidados.

A terceira chave é duríssima, contendo quatro argentinos candidatos ao título: River Plate, San Lorenzo, Racing e Lanús. Nacional/PAR e Universidad de Chile também sonham com a vaga, tornando o grupo ainda mais forte. Independiente del Valle e LDU de Loja deverão ser figurantes na disputa.

Embate imprevisível

Quem sobreviver a uma disputa tão dura enfrentará nas semis um adversário que virá da chave mais imprevisível. Ali estão os organizados Belgrano e Vélez, da Argentina, além dos brasileiros Ponte Preta e Criciúma, que fazem duelo de difícil prognóstico. Do Chile virão o tradicionalíssimo (mas em péssima fase) Colo-Colo e o Cobreloa, que já eliminou o Peñarol, campeão uruguaio. Completam a chave o Pasto e La Equidad, incógnitas que ocupam o meio da tabela do campeonato da Colômbia.

Argentinos favoritos

Num contexto em que a Europa tem poder para levar para suas ligas os melhores jogadores do mundo, um importante trunfo sul-americano é o equilíbrio e a imprevisibilidade. É o que devemos ver na edição 2013 da Sul-Americana. Por mandar suas melhores equipes, a Argentina é a mais forte candidata a levar o troféu. Mas a disputa está aberta.

15/08/2013

Noite de estreia... e vitória!

Gilvan Meireles

Em 2012, contra o Bahia, no Independência, havia a expectativa de que Ronaldinho Gaúcho atuar pela primeira vez. Naquele embate, Jô também podia estrear com a camisa atleticana. Ronaldinho não foi a campo, mas seu amigo Jô marcou presença. Ele marcou o primeiro gol e mostrou bom futebol. Ontem, também ante o Bahia, de novo no gramado do Horto, foi R10 quem honrou a dupla, garantindo a quarta vitória do time do Galo no Campeonato Brasileiro.

Enquanto isso, Jô estava na Suíça, com a seleção - maior desejo de seu companheiro Ronaldinho. O Gaúcho ainda pode. Em jogada aérea, o meia atleticano deu bela assistência, para Léo Silva. Com dribles e lances que sempre impressionam a todos, o camisa 10 ajudou a fechar o 2 a 0, com mais um belo passe, que resultou no gol marcado por Alecsandro - que é reserva de Jô.

Dátolo estreou nesta quarta-feira
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Fato é que, neste ano, Atlético e Bahia também marcou a estreia de um atleta. Dátolo, recém-chegado do Inter, jogou bem e mostrou que ainda precisa se encaixar, porém já buscou produzir jogadas. Ótimo meia, e se jogar o que sabe pode preencher a vaga deixada pelo garoto Bernard. O seu principal "concorrente" é Luan, que, embora mostre serviço, é ainda muito ansioso.

Enfim, uma vitória...

Na quarta de estreia hermana, o Atlético curou a "ressaca". Enfim, teve organização e inteligência para marcar e atacar. O bom Atlético está de volta - e tem tarefa difícil pela frente. O time, que já ganhou de Grêmio, Corinthians e Criciúma, viaja para enfrentar o Inter, que disputa o título. Hora de vencer, de novo! Para isso, teremos Jô e Ronaldinho juntos, e o argentino Dátolo.

14/08/2013

16 anos do 'impossível'

Salve, China Azul!

Há 16 anos, o Cruzeiro conquistava pela segunda e, até aqui, última vez a Copa Libertadores da América. Uma conquista improvável, que começou da forma mais lastimável possível, com três derrotas seguidas na fase de grupos, e terminou diante da sua torcida, com festa, alegria e mais um caneco no armário.

Pois bem. Todo cruzeirense, nascido para o futebol naquela época, ou não, conhece muito bem toda a trajetória hercúlea que a equipe celeste protagonizou até a glória. E apesar de considerar a data muito importante, não pretendo aqui fazer um tributo a ela. Gostaria de saber se, por acaso, nenhuma lição foi aprendida e praticada nesses longos 16 anos que nos separam daquela conquista.

O futebol mudou muito de lá para cá. O dinheiro, que já era fator preponderante naquela época, agora o é com muito mais peso. Mas nem tudo é como naqueles jogos virtuais, onde números e estatísticas entram e campo. O conjunto, a química, a relação time/torcida e o bom momento vivido por uma equipe, às vezes, fazem com que jogos entre times distintos se transformem em duelos muito equilibrados. Nunca duvidem do futebol.

Em 2013, eu acredito!

Mas o que eu gostaria mesmo de frisar é que, se já fomos campeões de maneira improvável e até antológica, por que existe tanta desconfiança em um momento como o vivido pelo atual time do Cruzeiro? Apesar dos pesares, ocupamos a primeira colocação na tabela, e temos totais condições de permanecer na disputa pelo título até o fim da competição. Se nos sagrarmos campeões, todo o trabalho em conjunto será o principal fator responsável. Se não for nosso ano, não é um ou dois erros ao longo do trajeto que devem ser tomados como desculpa.

Nem gosto de comparar desempenhos entre épocas tão distantes, assim como acho completamente dispensável nos lembrarmos de Ramires cada vez que o Cruzeiro resolve contratar um desconhecido. Cada jogo é uma história diferente e é durante aqueles 90 minutos que a história é reescrita.

Precisamos pensar no futuro sem nos esquecermos das lições que aprendemos no passado. Tanto para evitarmos novas frustrações, como para atingirmos novas conquistas. Não subestimem o Cruzeiro. Torcedor cruzeirense: não se subestime.

Força, Cruzeiro!

13/08/2013


De 'rejeitado' por 60% dos torcedores a líder do Campeonato
Brasileiro, técnico celeste avalia trabalho em Belo Horizonte

Vinícius Dias

Com apenas três derrotas na temporada, o Cruzeiro lidera o Campeonato Brasileiro. Por trás dos ótimos números está o treinador Marcelo Oliveira. Mineiro de Pedro Leopoldo, ele superou a rejeição inicial, que chegava a 60%. "Eu vim para o Cruzeiro pelo trabalho que fiz no Coritiba", observa. Sete meses depois, o trabalho feito na Toca é motivo de elogios. "Isso é gratificante para o profissional", conta. Marcelo tem um aproveitamento superior a 80% no clube.

Técnico destaca trabalho no Cruzeiro
(Créditos: Washington Alves/Vipcomm)

À frente de uma equipe jovem, o treinador se mostra tranquilo quando o assunto é a média de idade do time titular. "A questão da idade não me preocupa muito. Eu preciso do jogador produzindo", explica. E destaca o trabalho desenvolvido pelas categorias de base da Raposa. "O Cruzeiro é uma das boas equipes do Brasil e que forma bons atletas", pontua. Com um elenco testado e aprovado, cabe a Marcelo transformar os sonhos em realidade. A começar pelo Brasileirão.

Em setembro último, você foi demitido do Coritiba, com 62,8% de aproveitamento - em 131 partidas. Em 2011 e 2012, a equipe foi à decisão da Copa do Brasil, encantando o país. Mas, nas finais, não repetiu o bom desempenho de fases anteriores. Qual é a lição que você pôde tirar desses vice-campeonatos para buscar o torneio em 2013?

A lição é a experiência vivenciada e a consciência de que fiz o melhor. Eu acho que a primeira edição, contra o Vasco, que tinha um grande time também, foi igual, equilibrada. Porque o Vasco ganhou de 1 a 0 (no Rio de Janeiro), e nós ganhamos de 3 a 2 (em Curitiba). A questão ficou por conta do regulamento. Então, foram jogos em que o Coritiba jogou muito bem, e o Vasco também.

Já na segunda, em relação ao Palmeiras, ficou uma lição de que é necessário, quando você cria situações, principalmente jogando a primeira partida no campo do adversário, ter um poder maior de decisão, de fazer os gols. E de que havia uma tendência de nos prejudicar, em relação à arbitragem. Com um pênalti muito discutível (a favor do Palmeiras) e, depois, um pênalti claro no Tcheco (meia do Coritiba), que não foi dado. Nós fomos muito prejudicados lá, e no segundo jogo estava chovendo muito e o jogo ficou impraticável, e acho que isso afetou muito em relação ao resultado final.

Em 1977, como atleta, você integrou um dos melhores elencos da história do Atlético/MG. Aquela equipe, no entanto, embora tenha terminado o Brasileirão de maneira invicta, perdeu o título para o São Paulo, que somou dez pontos a menos. Você concorda com a afirmação de que os torneios por pontos corridos são, realmente, mais justos?

É mais justo, sem dúvida nenhuma. Aquele é o maior exemplo disso. Nós estávamos invictos, tínhamos o melhor ataque, a melhor defesa e o artilheiro do campeonato. Em uma partida (na final contra o São Paulo, o Atlético perdeu nos pênaltis, por 3 a 2, após empate no tempo normal) só, tudo pode acontecer. Uma má jornada, uma expulsão, algum equívoco, alguma falha individual pode mudar o rumo de um jogo. Eu acho que o campeonato por pontos corridos premia, sempre, o time de maior regularidade, que fez um planejamento, que tem um trabalho mais consistente.

Você chegou ao Cruzeiro, em dezembro, com o índice de rejeição superior a 60%. As críticas, em geral, estavam relacionadas a seu passado, como treinador e atacante do rival Atlético. Como você recebeu este cenário e, principalmente, como ele interferiu no seu trabalho?

Eu recebi normal. Não tinha nenhuma oposição relacionada à minha competência. Eu vim para o Cruzeiro pelo trabalho que fiz no Coritiba, pelos dois anos lá, em que tivemos um trabalho muito bom. Então, eu dependia só do meu trabalho para provar que não havia nada, do meu profissionalismo, do meu comprometimento com o Cruzeiro, para mostrar que não tinha nada relacionado a outra equipe que trabalhei, à rivalidade que existe aqui.

Inclusive porque, historicamente, outros profissionais já trabalharam no Cruzeiro, no Atlético e vice-versa. Então, eu não tive receio nenhum, e acho que a partir do primeiro jogo (na estreia, o Cruzeiro venceu o Atlético, por 2 a 1, no Mineirão), com a possibilidade de expor o nosso trabalho, já mudou completamente. Hoje, em qualquer lugar que eu vá em Belo Horizonte tem um torcedor do Cruzeiro com uma palavra de agradecimento, de apoio, de incentivo. E isso é gratificante para o profissional.

Em 2012, o Cruzeiro terminou a temporada sem nenhum jogador formado nas categorias de base como titular. Neste ano, sob seu comando, a dupla Mayke e Vinícius Araújo têm se destacado e se afirmado no time. Como você analisa o trabalho das categorias de base do Cruzeiro?

Eu acho que o trabalho é bom. Tem que haver um planejamento, uma filosofia de aproveitamento da base, porque o Cruzeiro é um das boas equipes do Brasil e que forma bons atletas. Talvez, os profissionais anteriores tinham a preferência por jogadores mais rodados, mais experientes, porque o cargo de treinador no futebol brasileiro é muito instável. Então, às vezes, você tem essa preocupação. O menino pode encaixar rapidamente, mas pode demandar um tempo maior para se firmar.

Eu não tinha essa preocupação, porque acompanhei a Taça São Paulo e o Campeonato Brasileiro de Juniores, e vi que os jogadores tinham muita qualidade. O Wallace, que é zagueiro da seleção (sub-20), o próprio Alisson, que estava no Vasco e agora retornou, o Élber, que já estava no profissional, e, principalmente, o Mayke e o Vinícius (Araújo). Eles estavam ali, concorrendo a uma posição e, quando tiveram a oportunidade, se mostraram preparados e, por isso, estão jogando.

Três dos principais nomes deste atual grupo do Cruzeiro já tinham trabalhado com você. Dedé e Nilton, no Vasco. Éverton Ribeiro, no Coritiba. O fato de eles já conhecerem sua 'filosofia' impactou (ou facilitou) de alguma forma no bom aproveitamento coletivo nesta temporada?

Eu acho que para eles facilitou e, talvez, os jogadores conversam muito entre si. Talvez eles já tenham, também, falado ‘o técnico gosta de trabalhar assim e assado’. O que eu primo muito é por aglutinação de atletas, criar ambientes bons, união e trabalho intenso. Eu trabalho muito tecnicamente, muito com bola, sou obstinado pela parte técnica, de toque, de bom passe, bons chutes e finalizações. Então, eu acho que tem ajudado.

A gente, nestes sete meses de trabalho, não teve um problema sequer de indisciplina, absolutamente nada, e os números (o Cruzeiro tem aproveitamento de 80,80%, em 33 partidas nesta temporada) comprovam que o trabalho tem ido bem. Eu fico feliz com isso, acho que o Cruzeiro tem tudo a ganhar quando o trabalho vai bem.

Mesmo com um elenco experiente, o Cruzeiro tem um time titular com média de idade baixa - de 25 anos. Neste cenário, como você avalia a contratação do Júlio Baptista? Acredita que, depois de dez anos no exterior, ele possa assumir a condição de líder de maneira natural?

A questão da idade não me preocupa muito. Eu preciso do jogador produzindo. Para mim, se tiver 18, for da base, 19, 20, ou tiver 25 ou 33, se o jogador tiver produzindo bem, ele vai jogar. Coincidentemente, com a saída de alguns, o time abaixou a média de idade. Mas, estão retornando aí o Dagoberto, o Borges e o próprio Júlio (Baptista), talvez aumente um pouco, mas sem perder a qualidade e o vigor, que é importante.

Em relação ao Júlio (Baptista), acho que ele vai cumprir essas duas funções. Não só uma parte técnica boa, com um jogador que finaliza bem, que chega à área, mas pode ser, pela sua postura, pelo profissionalismo, as referências são as melhores, pode exercer positivamente esse papel de líder, também.