15/01/2018


De ex-goleiros de Flamengo e seleção sub-20 a atacante campeão da
Libertadores com Neymar e Ganso, interior se reforça para estadual

Vinícius Dias

Apostar as fichas em medalhões com passagens por grandes clubes do país? Dar oportunidades para jovens talentos formados por América, Atlético e Cruzeiro? Ou investir na própria base? Com estratégias distintas, os nove representantes do interior compartilham um objetivo no Campeonato Mineiro: pôr fim à sequência de 12 anos de conquistas de clubes da capital. De Patrocínio a Governador Valadares, passando por Varginha, a bola rola a partir desta quarta-feira nos gramados mineiros.


Bicampeã do interior, a URT manteve o técnico Rodrigo Santana para tentar o tri. O elenco, no entanto, teve várias mudanças. Os principais reforços são os experientes meio-campistas Ewerton Maradona, um dos maiores ídolos da Caldense, e Eduardo Ramos, campeão da Série B pelo Corinthians em 2008. Emprestado pelo Santos, o zagueiro Rodolfo está de volta a Patos de Minas. No ataque, a novidade é Raphael Macena, revelado na base do Bahia, que defendeu a Luverdense na última Série B.

Felipe, ex-Flamengo, reforça o Verdão
(Créditos: Alexandre Vidal/Fla Imagem)

De olhos nos mata-matas, o Uberlândia investiu pesado. A manutenção do quarteto titular na última edição, com destaque para Mauro Viana, zagueiro da seleção do estadual de 2016, faz da defesa o grande trunfo. Paulo Cezar Catanoce ainda ganhou reforços como o goleiro Felipe, ex-Corinthians e Flamengo; o zagueiro Ferron, ex-Sport e Ponte Preta; e o lateral-esquerdo Rafael Estevam, ex-Caldense. Na frente, destaque para o meia argentino Chaparro, ex-San Lorenzo e Vasco, que chega de Portugal.

Na conexão capital-Juiz de Fora

Depois de ver o acesso à Série B bater na trave, o Tupi quer fazer bonito no estadual. Alexandre Barroso estará à frente de um elenco com vários jogadores com passagem pela capital. A meta terá Georgemy, ex-seleção sub-20, revelado pelo Cruzeiro. Rodrigo Dias, ex-Atlético, e Afonso, ex-Cruzeiro, são opções para a lateral-direita. A zaga conta com Sidimar, ex-Atlético, e Wellington, ex-Cruzeiro. Tchô chega para assumir a 10. O ataque terá Reis, ex-Cruzeiro, e Vitinho Ruas, emprestado pelo América.

Ex-Flu, Anderson segue no Tombense
(Créditos: Nelson Perez/Flickr/Fluminense F.C.)

Semifinalista em 2015, o Tombense terá na área técnica o ex-meia Ramon Menezes. Titulares como o goleiro Darley, ex-Atlético, e o zagueiro Anderson, campeão brasileiro pelo Fluminense em 2012, foram mantidos. O artilheiro Daniel Amorim está de volta. Entre os reforços, destaque para o zagueiro Lucas Rex, revelado pelo Grêmio; o meia Luiz Fernando, ex-Cruzeiro e Figueirense; e os atacantes Rhayner, ex-Ponte Preta, e Flávio, campeão da Copa do Brasil sub-20 pelo Atlético na última temporada.

Maior campeão e último finalista

Maior campeão entre os clubes do interior, com quatro títulos, o Villa Nova disputará o estadual sob o comando de Ito Roque. O elenco tem vários remanescentes da temporada passada, como o zagueiro Otávio, revelado pelo América, e o atacante Carrara. Chegaram a Nova Lima nomes como o zagueiro Rafael Vitor, ex-Atlético B; o meia-atacante Igor Soares, destaque do União Luziense no último módulo II, e o atacante Daniel Morais, ex-América e Cruzeiro, que conquistou o acesso à Série A pelo Paraná.

Daniel Morais: grande nome do Leão
(Créditos: Villa Nova A.C./Divulgação)

A defesa é o ponto forte da Caldense, vice-campeã em 2015. O zagueiro Robinho, ex-URT, e o lateral-direito finalista Jefferson Feijão se juntam ao remanescente Marcelinho. O elenco de Zezito teve uma baixa de última hora: a saída do atacante Luiz Eduardo. O Democrata, de Gilmar Estevam, aposta na volta de destaques como o goleiro Ramon e o lateral-direito Alan Silva. Entre as novidades está o volante Marcelo Rosa, revelação de 2013. O ataque terá Romário, ex-América, e Romarinho, ex-Fortaleza.

Temporada de volta ao módulo I

Campeã do módulo II, o Patrocinense manteve o técnico Rogério Henrique. Entre os reforços estão o goleiro Neguete, ex-Caldense, o zagueiro Diego Borges, ex-URT, o meia Juninho, cria do Atlético, e o atacante Rychely, ex-parceiro de Neymar no Santos. O vice, Boa Esporte, será comandado por Sidney Moraes. Titulares na Série B, o goleiro Fabrício e o zagueiro Caíque seguem no time. O ídolo Radamés é baixa. Chegam nomes como Renato Justi, zagueiro ex-América, e Amaral, volante ex-Flamengo.

Valorizado, Mineiro distribuirá R$ 37 milhões

Vinícius Dias

Os clubes do módulo I e a organizadora do Campeonato Mineiro receberão, somados, cerca de R$ 37 milhões pelos direitos de transmissão neste ano. Conforme o Blog Toque Di Letra antecipou no fim de 2016, a renovação para o período de 2017 a 2021 foi fechada com valor inicial de R$ 36 milhões. O contrato prevê reajuste a cada edição com base em índices de mercado, o que representará mais R$ 1 milhão nesta temporada.

Campeão receberá troféu em 08 de abril
(Créditos: Federação Mineira de Futebol/Divulgação)

Donos das maiores fatias, o atual campeão Atlético e o rival Cruzeiro ficarão com cerca de R$ 12,3 milhões cada. O América embolsará quase R$ 2,9 milhões, enquanto cada um dos nove representantes do interior receberá uma cota entre R$ 850 mil e R$ 875 mil. A primeira parcela será paga aos clubes antes da rodada de abertura do estadual, agendada para o próximo dia 17. A organizadora também terá direito a um percentual.

Publicidade impulsiona receitas

Entre TV aberta, fechada e pay-per-view, serão transmitidos pelo menos três confrontos por rodada - à exceção da 5ª, 7ª e 9ª, nas quais serão disputados os clássicos da capital. Para esta temporada, o Campeonato Mineiro teve formato alterado, com a volta da  fase quartas de final. As receitas com a competição são alavancadas pelas placas de publicidade das partidas, cuja comercialização fica a cargo dos próprios clubes.

14/01/2018

América cria diretoria de futebol de base

Da Redação

Com Conselho de Administração reformulado, o América também terá a partir desta temporada uma novidade em seu organograma executivo. O clube alviverde definiu a criação da diretoria de futebol de base. O cargo será ocupado pelo advogado Paulo Bracks, que desde 2014 estava à frente da diretoria de competições da Federação Mineira de Futebol. 

Paulo Bracks assume cargo no Coelho
(Créditos: Mourão Panda/América)

O currículo de Paulo Bracks, de 36 anos, inclui formação em gestão do futebol e análise de desempenho nas categorias de base, além de cursos de especialização realizados em clubes da Inglaterra e da Espanha. O novo dirigente da base americana também é professor dos cursos de gestão do futebol e licença A de treinadores promovidos pela CBF.

Integração com time profissional

A atuação da diretoria de base compreenderá desde a captação de atletas até a transição para o time principal e será alinhada à diretoria de futebol profissional, que tem como responsável Ricardo Drubscky. A ideia do clube é potencializar a revelação de talentos. Atualmente, o elenco comandado por Enderson Moreira conta com 11 pratas da casa.

13/01/2018

O Galo entre a confiança e o fim da obrigação

Alisson Millo*

O ano mal começou e o Atlético já está sob pressão. No primeiro dia de trabalho de 2018, um grupo de torcedores foi até a porta da Cidade do Galo cobrar dos jogadores, tentar fazer pressão psicológica do tipo 'ou joga por amor ou joga por terror', com faixas que, entre outras coisas, colocavam a conquista do Brasileirão como obrigação. Aparentemente, as resoluções de mais apoio e menos corneta ficaram restritas a este colunista.


A cobrança é exagerada e, no momento, infundada. Claro que os resultados em 2017 não agradaram, mas foi ano passado, com outras caras, outros treinadores, outra direção. Com Sette Câmara, o trabalho parece seguir caminho diferente de Kalil e Nepomuceno. O novo presidente fala em austeridade financeira, com menos gastos e, ainda assim, o Atlético já conta com seis reforços. Ficou para trás a era dos medalhões caros, que pouco entregaram na última temporada: o teto salarial está mais baixo e o elenco formado sugere um time mais 'operário'.

Ricardo Oliveira: símbolo do novo Galo
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)


O destaque, com certeza, é Ricardo Oliveira, que chega para substituir à altura o último centroavante que tivemos, com vencimentos bem menores e um currículo tão vitorioso quanto. Mesmo com seus 37 anos, o camisa 9 esbanja vigor físico e impressionou nas férias com seus vídeos se preparando para voar em 2018. Outro veterano que pretende voar neste ano é o volante Arouca. Chegou sob desconfiança por ter atuado pouco no ano passado, mas tem a confiança de Oswaldo de Oliveira e já deixou claro que vai provar que merece a titularidade com muito trabalho.

Que 2018 seja o ano de Cazares

Quem também parece ter o apoio do treinador é Cazares. Dono de uma qualidade inquestionável, o camisa 10 virou companheiro de concentração de Ricardo Oliveira. A esperança é de que o pastor ajude o equatoriano a reviver seus melhores dias. Tudo começou como meme, se transformou em verdade e incomodou Cazares um pouco, o que é um sinal de que, pelo menos, ele se preocupa com a carreira. Jogando em sua posição de origem, como enganche, focado e entrosado com um atacante goleador, 2018 pode ser, enfim, a temporada da redenção do meia atleticano.

Cazares: talento a serviço do Atlético
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Otimismo exagerado de início de temporada? Talvez, mas não vamos cobrar explicações e atitudes de quem ainda sequer pôde se apresentar. Vamos apoiar, vamos torcer pelo time, não pelas competições, quem sabe assim as conquistas voltem. O caminho é longo, mas, juntos, conseguiremos empurrar o time para frente. Os resultados serão consequência e as vitórias sairão mais naturalmente do que sob ordens e obrigações.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!