22/06/2017


Equipe alvinegra perdeu, no máximo, 16 pontos por edição na era
Horto; neste ano, com Roger, somou apenas cinco dos 15 possíveis

Vinícius Dias

Ponte forte do Atlético no Campeonato Brasileiro de 2012, quando terminou na segunda colocação, o rendimento dentro de casa está aquém do esperado nesta edição. O empate por 2 a 2 contra o Sport, nessa quarta-feira, na Arena Independência, manteve o time alvinegro entre os quatro piores mandantes, com apenas cinco pontos em 15 disputados: 33,3%. No quesito aproveitamento, os comandados de Roger Machado superam apenas o Vitória, que conquistou 26,7% dos pontos em Salvador.


Os números em Belo Horizonte têm incomodado o treinador. "A expectativa para os jogos dentro de casa tem que ser alta. A normalidade é que o mandante vença pelo menos 60% dos jogos. Associada à expectativa criada em torno dos jogadores contratados, isso aumenta. Não dá para fugir da responsabilidade e atribuir nosso insucesso a outras coisas", ponderou após a partida diante do rubro-negro pernambucano. Na classificação geral, o Atlético aparece em 16º lugar, com nove pontos.

Atlético tropeçou nessa quarta-feira
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Desde 2012, quando voltou a mandar seus jogos em Belo Horizonte, o Atlético perdeu, no máximo, 16 pontos como mandante por edição. Em 2015 e 2016, o time alvinegro fez suas piores campanhas em casa: 71,9% de aproveitamento. Os melhores números foram registrados justamente na primeira temporada da era Horto: 14 vitórias e cinco empates, com 82,5% sob o comando de Cuca. Neste Campeonato Brasileiro, disputadas cinco partidas, a equipe já desperdiçou dez pontos.

Campanhas no Brasileirão - era Horto:

2012 - 14 vitórias e cinco empates - 82,5% em casa
2013 - 13 vitórias, cinco empates e uma derrota - 77,2% em casa
2014 - 12 vitórias, cinco empates e duas derrotas - 71,9% em casa
2015 - 13 vitórias, dois empates e quatro derrotas - 71,9% em casa
2016 - 13 vitórias, três empates e três derrotas - 73,7% em casa
2017 - uma vitória, dois empates e duas derrotas - 33,3% em casa

21/06/2017

Ação do Cruzeiro é premiada em Cannes

Vinícius Dias*

A ação realizada pelo Cruzeiro no Dia Internacional da Mulher, em parceria com a ONG AzMina e com apoio da Umbro e da Agência New360, segue repercutindo mundo afora. A campanha #VamosMudarOsNúmeros, que já havia concorrido ao Leão de ouro na categoria Promo, foi premiada nesta quarta-feira com o Leão de bronze na categoria Media do Cannes Lions 2017 - Festival Internacional de Criatividade, na França.

Camisas deram destaque a estatísticas
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Divulgação)

Na noite de 08 de março, a Raposa propôs uma reflexão sobre as desigualdades de gênero e a violência contra a mulher no Brasil. Os jogadores da equipe comandada por Mano Menezes entraram em campo para o confronto contra o Murici, válido pela terceira fase da Copa do Brasil, em Alagoas, estampando nas camisas estatísticas referentes às dificuldades enfrentadas pelo público feminino no dia a dia.

Campanha em confronto contra o Murici
(Créditos: Thiago Parmalat/Light Press/Cruzeiro)

A 11 de Alisson, por exemplo, destacou que uma mulher é estuprada no país a cada 11 minutos. A 27 do zagueiro Manoel, autor do primeiro gol, trouxe mensagem sobre a continuidade de 27% das vítimas com seus agressores. A 9 de Ramón Ábila, que deu números finais à partida, ressaltou que apenas nove em cada 100 deputados são do sexo feminino.

*Atualizada às 17h10


Aos 87 anos, relação com a equipe alviverde mantém força mesmo
diante de batalha contra doença que provoca a perda de memória

Vinícius Dias

"Sou América, América, América", assegura Olívio de Oliveira, mais conhecido como Nêgo. Em meio à batalha contra o mal de Alzheimer, doença degenerativa que provoca atrofia do cérebro e perda de memória, o belorizontino, de 87 anos, tem dado mostras de que a paixão pelo clube alviverde está intacta. A relação é tema de vídeo produzido pelo casal Ana Luiza Saraiva e Jotapê Saraiva, neto do torcedor do Coelho.



"Toda vez que venho visitá-lo, ele não se lembra de praticamente nada. Pergunto meu nome, meu pai pergunta, todos perguntam e, muitas vezes, ele esquece. Na verdade, do meu nome ele praticamente não se lembra mais. Só que o time dele, ele costuma não esquecer de jeito nenhum", destaca Jotapê, graduado em Publicidade e Propaganda e criador do Brand Bola, projeto sobre marketing no futebol.

Laços entre torcedor e futebol

As recordações vão além do nome do clube. Morador do bairro Santa Inês, na região Leste da capital mineira, Olívio menciona em outros trechos do vídeo a mascote alviverde e o extinto estádio Otacílio Negrão de Lima, onde o América mandou seus jogos por mais de quatro décadas. "Isso mostra a importância dos clubes de futebol na vida, na história das pessoas", acrescenta o neto, especialista em marketing.

20/06/2017

Vencer, vencer: esse é o nosso ideal

Alisson Millo*

Finalmente fora do Z4, com uma grande vitória diante do São Paulo - a primeira fora de casa - e o retorno de jogadores importantes, como Cazares e Luan. Esse é o saldo do fim de semana do Atlético, positivo como há muito tempo não se via. Mais na raça do que na técnica, em alguns momentos relembrando o bom espírito galo doido, os três pontos tiraram o time da incômoda posição no Campeonato Brasileiro e deram um alívio para o treinador, que parecia estar com a continuidade ameaçada.


Após duas derrotas, uma delas em casa, com um a mais, vencer era o respiro necessário. Se não fosse bonito, e de fato não foi, que fosse eficaz. Rafael Moura pouco tocou na bola, mas marcou na chance que teve. Alex Silva superou a desconfiança e ainda deu carrinho, desarmando Pratto e evitando o que seria o gol da virada tricolor. Ao substituir Carioca, que de novo ficou devendo, Ralph foi o cão de guarda que faltava desde a lesão de Adilson. Rodrigão jogou poucos minutos, mas afastou o perigo em bolas levantadas na área. Yago vem se firmando. Se não for na técnica dos medalhões, tem que ser na raça de quem tem o DNA do Atlético.

Atlético somou três pontos no Morumbi
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

De certa forma, essa sempre foi a tônica do Galo. Com o coração na ponta da chuteira se fez nossa história centenária e, em um momento de dificuldade como o que o time se encontra, a volta às origens era o que faltava. Verbo usado no presente porque ainda falta muito para o Atlético chegar a uma posição de brigar por qualquer coisa significativa - e nenhum torcedor vai aceitar menos do que muita entrega e uma boa colocação no final do Brasileirão. A porta do Z4 não é mais uma realidade aceitável e os jogadores precisam entender isso. O Atlético nunca foi o time da soberba e do salto alto que alguns jogadores têm mostrado.

De Libertadores a Copa do Brasil

Um comportamento desse pode custar muito caro, por exemplo, na Libertadores. No sorteio das oitavas de final, caímos contra o Jorge Willstermann, da Bolívia. Em tese, adversário fácil, de pouca tradição. Mas, se o time entrar com o pensamento de que ganhará a qualquer hora, vai sofrer como vem sofrendo. Que os dois gols que levou do fraco Sport Boys, na Arena Independência, tenham servido de lição. O jargão é antigo, mas nunca foi tão preciso: não existe mais bobo no futebol. O sonho de mais um título continental pode se tornar realidade. Temos qualidade e elenco para isso, falta entrega dentro de campo.

Galo bateu o Paraná na Copa do Brasil
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Tudo o que foi falado sobre a Libertadores vale em dobro para a Copa do Brasil. Se o time reverteu a derrota diante do Paraná e conseguiu a classificação, ter sofrido contra um adversário de Série B, com investimento muito menor, é motivo para acender a luz amarela no Atlético. Por pouco o 'ganhar a hora em que quiser' não custou ao Galo um de seus principais objetivos na temporada. Pela frente agora o Botafogo, que, por mais que não viva sua melhor fase, tem bons jogadores e pode complicar para o lado de qualquer time que se achar superior ao que realmente é.

Título e exemplo vindos da base

Um exemplo de trabalho bem feito, com a cara do Galo, está bem perto. O time sub-20 acabou de ser campeão da Copa do Brasil da categoria, superando Vasco e Flamengo na semifinal e na final, respectivamente. Principalmente no jogo contra o cruzmaltino, em São Januário, quando o Galinho buscou a virada fazendo dois gols nos acréscimos. Contra o rubro-negro, dois empates e título nos pênaltis, brilhando a estrela de Cleiton, que defendeu três - qualquer semelhança com Victor é mera coincidência. Com um elenco reduzido, os garotos devem ser utilizados no time principal e, no mínimo, já provaram que têm sangue nos olhos.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!